Tecnologia é oportunidade: pare de desperdiçar tempo nas redes sociais

Tecnologia é oportunidade: pare de desperdiçar seu tempo nas redes sociais

Quanto melhor sabemos usar a tecnologia, mais fácil atravessar este momento.

O isolamento social trouxe tempo e oportunidades de reflexão. Recebo em minhas redes sociais várias mensagens de amigos dizendo que só agora perceberam o ritmo frenético em que andavam trabalhando e vivendo. E a tecnologia em meio a tudo isso?

Foi preciso parar por muitos dias para desintoxicar-se do que estávamos acostumados e que nem sempre era bom ou necessário. Durante a leitura de “O ócio criativo”, de Domenico de Masi, me deparei com as seguintes frases:

“Estamos em uma fase de transição, como sempre.” As coisas no mundo são assim, cíclicas e em constante mutação. Os mais velhos já viveram guerras, outras epidemias e parecem aceitar as transições de forma mais calma.

A geração mais jovem, acostumada a Sucrilhos com leite e Internet disponível em qualquer lugar, a qualquer hora, acaba sofrendo mais. Foram criados supondo que tudo podia ser comprado e controlado pela tecnologia. E, bem, isso não é verdade. Nuvens de gafanhotos, ventanias e pandemias estão aí desde que o mundo é mundo.

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Em entrevista à revista Veja, Cid Moreira disse, do alto de seus 92 anos: “Estou isolado em um sítio no interior do RJ. Sentir falta do que? De aeroportos abarrotados? Do trânsito? De festas? Sempre fui reservado, gosto mesmo é de ficar em casa. A esta altura, só quero conversas sadias e construtivas. Faço Pilates, caminho, tudo o que preciso tenho aqui. O que falta, peço pela internet.”

Questionado sobre o momento político, disse: “Neste momento polarizado, prefiro não me envolver. Passei por inúmeras reinvenções do mundo. Tudo é cíclico.” Infelizmente, poucos idosos têm as oportunidades que Cid tem, mas é interessante observar a fala lúcida de uma pessoa que já viveu quase um século. A experiência acalma e traz paz.

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Voltando à leitura de Domenico de Masi: “Trabalhando, vendo um filme ou discutindo, deve haver sempre a criação de um valor, e junto com isso, divertimento e formação.” Nem lembro se o autor concorda ou não com a afirmação, mas acredito que é possível aprender de forma prazerosa, e que existem muitas oportunidades para isso atualmente.

Nada contra a diversão por si só, mas dá para rir, passar o tempo, trabalhar enquanto aprendemos e desenvolvemos pensamento crítico. Não se trata de virarmos robôs sempre em busca de conhecimento formal em tudo o que fazemos, mas de selecionar as discussões, as amizades, os filmes, os livros e tornar nosso ambiente naturalmente mais rico.

Assim, teremos menos sabichões de Facebook e mais pessoas reais agindo positivamente por aí. Nunca subestime o que dá para ser feito ao seu redor. Tente escolher o próximo filme, a próxima leitura, a próxima conversa de forma consciente, para o seu bem. É alimento para a mente, sempre sedenta por novidades. O que nos leva à próxima frase.

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“A tecnologia é uma oportunidade, não uma obrigação.” Tenho observado que os pequenos empreendedores que já eram ativos nas redes sociais e marketplaces se adaptaram com facilidade ao período que estamos vivendo. Tecnologia é oportunidade, mas isso foi um dom divino que receberam? Já nasceram sabendo? Posso afirmar que não.

Enquanto a maioria prefere estar nas calçadas batendo papos infinitos sobre nada, fumando, falando sobre futebol, reclamando do governo (seja ele qual for, eleito por nós mesmos), outros estavam fazendo um dos inúmeros cursos grátis que existem ensinando a vender online, a posicionar sua empresa (por menor que seja) nas redes sociais, a vender pelo WhatsApp, nos grupos de Facebook e uma infinidade de oportunidades sempre ao alcance das mãos.

Não deixo de me assustar sempre que vejo uma pessoa que não sabe pagar um boleto online, não sabe utilizar um aplicativo de banco, não sabe sequer colocar créditos sozinha no seu celular, mas sabe usar com destreza as redes sociais e joguinhos diversos.

Sabe clicar no famigerado botão encaminhar e espalhar por aí alertas sobre cosméticos grátis, livrinhos grátis, colocar seus dados pessoais em qualquer link que diga ser de benefícios do governo. Cair em golpes financeiros variados, espalhar vírus antigos e novos com habilidade. Tecnologia, você sabe usar?

Quando é para o seu desenvolvimento pessoal, tem “medinho”. Medo de um banco digital, medo de uma corretora, medo de tudo. Não faz sentido. E mostra as prioridades de cada um.

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É triste ver tantas oportunidades serem desperdiçadas. Tanto conhecimento à nossa disposição. Nossas mentes sedentas por conteúdo de qualidade e nós aqui, murmurando com os vizinhos, acreditando em tudo, clicando como autômatos em busca de recompensas.

Ou discutindo, dando holofote para quem não merece. Enchendo as redes sociais de lixo. Deixando nossos filhos e cônjuges de lado. Esnobando quem se importa conosco. Deixando nossas empresas morrerem.

A tecnologia não é uma obrigação. É oportunidade, e que oportunidade! Filmes, vídeos, livros, aulas, grupinhos de amigos, colegas e vizinhos. O que andamos escolhendo?

Que a transição que vivemos hoje possa ser positiva. Esqueça os planos mirabolantes e grandiosos. Acalme o ego e faça o que for possível, agora. Se tiver sugestões de conteúdo construtivo, não deixe de comentar.

Foto: Pixabay.

—— Este artigo foi escrito por Cristina Pizarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

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Renegociar o aluguel: como agir para aliviar o orçamento

Renegociar aluguel: como agir para ajustar o orçamento - banco imobiliário

Renegociar o aluguel pode diminuir bastante as despesas fixas do orçamento. Confira dicas.

Renegociar o aluguel tem sido um expediente comum ao longo dos meses de pandemia, segundo uma análise feita pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC). Pelo menos um em cada cinco aluguéis residenciais foram renegociados no estado.

Os dados apontam para descontos no aluguel que variam entre 10% e 50%, por períodos de três meses. Renegociar o aluguel neste momento de incerteza é uma saída inteligente para amenizar o impacto no orçamento familiar, mas é preciso planejamento para recolocar a vida no lugar depois.

Na maioria dos casos de renegociação, os descontos aplicados são de caráter temporário e deverão ser repostos em parcelas dos próximos meses. Melhor pagar menos durante alguns meses para depois pagar mais do que ficar inadimplente, a lógica é simples e funciona.

Inadimplência que já se aproxima de 3% do total de contratos de locação, um número que é bem maior que a média de 1,8% vista antes da crise chegar. Se considerarmos que a situação começou e março e muitos inquilinos renegociaram o aluguel a partir de abril, por três meses, o que vem a seguir?

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Renegociar o aluguel: bom para os donos e inquilinos

Para o dono de imóvel vazio, a crise significa mais despesas fixas. Na prática, pode ser muito mais caro manter um imóvel vazio que oferecer um desconto para mantê-lo alugado por algum tempo a um valor abaixo do inicialmente acordado em contrato.

Os três primeiros meses de desconto, negociados na maior parte dos contratos, acabou. Faz sentido solicitar mais algum tempo em condições semelhantes? Sem dúvida. Para os proprietários, vale a pena? Com certeza!

Dados do Sindicato da Habitação de São Paulo, Secovi, mostram que há desaceleração no mercado de aluguéis, algo absolutamente normal diante do cenário em que vivemos. Segundo a pesquisa mensal, o tempo entre um contrato e outro para apartamentos ficou entre 27 e 57 dias na cidade de São Paulo. No mesmo período de 2019, esse tempo variava entre 24 e 49 dias.

Para as casas, o tempo de espera por novos inquilinos aumentou de 18 a 43 dias no ano passado para 20 a 53 dias em abril de 2020. Não há como fugir da realidade de renegociar o aluguel como parte de uma estratégia para reduzir despesas. Donos e inquilinos precisarão se acertar neste processo.

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Renegociar o aluguel: bom senso e foco na continuidade

Além de renegociar o aluguel de forma temporária, como já vem sendo feito, pode ser que o reajuste dos contratos seja igualmente reavaliado. O indicador de inflação usado nos reajustes de aluguéis costuma ser o IGP-M, que passou de 7% nos últimos 12 meses.

O bom senso precisa cumprir seu papel, com o inquilino sendo o mais verdadeiro e transparente possível com o proprietário, de forma que suas condições possam ser apresentadas sem exageros ou apenas intenção de levar vantagem.

Do lado do proprietário, é fundamental compreender que a continuidade da renda é mais importante que seu total, pelo menos durante esta fase. Isso porque esvaziar o imóvel e correr o risco de ficar meses sem conseguir um novo inquilino pode custar mais caro que o desconto e eventual reajuste menor.

Na minha visão, devem ser evitados confrontos e contendas jurídicas, até porque com as restrições impostas pela situação de pandemia, isso tende a acirrar os ânimos e atrasar um eventual acordo em relação ao contrato.

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Renegociar o aluguel: é bom agir antes de o orçamento estourar

Se a renda já caiu, alguns meses de aluguel já foram negociados e a situação não parece melhorar, é importante que você lide com essa realidade de forma adulta e responsável. Talvez faça sentido solicitar mais desconto, por mais tempo, mas talvez seja o caso de rever o tipo de imóvel em que vive.

Do lado de quem aluga, é fundamental manter um diálogo muito franco com o dono ou imobiliária. Cancelar um contrato vigente não costuma ser uma boa alternativa, já que envolve multa e gastos não planejados para devolver o imóvel às pressas com as condições acordadas no documento.

Considerando que 70% dos proprietários de imóveis tem um ou dois imóveis, no máximo, é fácil perceber como estes investimentos são importantes geradores de renda para suas famílias. É muito melhor aceitar um valor mais baixo pago no aluguel do que interrompê-lo em meio a esta situação.

Conversem. Dialoguem de forma aberta e verdadeira. Talvez a ajuda de uma imobiliária ou corretor de imóveis seja interessante para apresentar dados complementares sobre a situação vivida no mercado. Estatísticas sobre renegociação, vacância, valores, tudo isso pode ser útil para o acordo temporário e desenho das novas condições.

Cabe lembrar que mesmo nos casos em que não há um contrato formalizado por escrito, os locatários têm os direitos assegurados por lei. Para casos assim, o momento talvez seja ideal para tratar as coisas de forma mais profissional, com contrato assinado entre as partes – inclusive com os novos termos e descontos temporários e como eles serão pagos depois.

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Conclusão

Renegociar o aluguel é uma saída interessante para reduzir despesas e precisa ser considerada por inquilinos que tenham sofrido queda na renda. Os termos, o prazo, o desconto e como ele será compensado são temas que devem ser francamente discutidos e alinhados com o proprietário, com paciência e bom senso.

A decisão de oferecer desconto pode ser benéfica também para o dono, principalmente levando em conta o atual momento econômico do país e o agravamento da crise neste sentido. Outra tendência que pesa neste sentido é a saída de muitos moradores dos grandes centros, buscando cidades menores.

Aqueles que conseguirem ajustar um valor confortável (para pagar e como fonte de renda) certamente atravessarão este momento com mais tranquilidade, e este deve ser o objetivo de uma negociação inteligente.

Foto: Pixabay.

—— Este artigo foi escrito por Conrado Navarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

Selic em 2,25% ao ano: fim da renda fixa para o pequeno investidor?

Selic em 2,25% ao ano: fim da renda fixa para pequenos investidores?

Selic em 2,25% assustou o pequeno investidor, que agora quer saber o que fazer. Calma!

A quebra de recordes não para no Brasil e parece que em 2020 viveremos um ano histórico neste sentido. Com a Selic em 2,25% ao ano, estamos no patamar mais baixo desde sempre para a taxa básica de juros da economia. Mas será que isso vai evitar um desastre de quase dois dígitos no PIB? Parece improvável.

Com a decisão tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), em 17/06/2020, a Selic chegou ao menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.

Um pouco de história em relação à Selic: de outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018, só voltando a ser reduzida em julho de 2019.

O corte de 0,75 ponto percentual na Selic era esperado pela maior parte dos analistas e agentes do mercado financeiro. Quem talvez esteja ainda mais perdido diante disso tudo é o pequeno investidor. A Selic em 2,25% ao ano bagunça a sua vida? O que muda? Será o fim da renda fixa?

Dica de leitura: “Quebre a Caixa, Fure a Bolha” (clique)

Selic em 2,25% ao ano. Vai cair mais?

Antes de abordar um pouco esta questão, vale contar que o BC ainda deve baixar um pouco mais Taxa Selic até o fim do ano. Em comunicado, o BC disse que as recentes reduções foram normais levando em conta o cenário econômico e que ainda pode fazer o que chama de “ajuste residual” na taxa.

“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno. O comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, são decisivas para determinar o prolongamento do estímulo”, afirmou o BC, em nota.

Em outras palavras, o BC associa a manutenção dos juros em patamares tão baixos ao cuidado com os gastos públicos a partir de 2021. Ou seja, se a expansão fiscal não for controlada e amarrada a novas reformas e planos neste sentido, a taxa pode voltar a subir (e rápido).

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Selic em 2,25% ao ano: por que ela sobe e desce?

O Banco Central é o “guardião da nossa moeda”, como costumam dizer alguns economistas. Neste sentido, uma de suas principais missões é manter o poder de compra do Real, o que significa manter a inflação sob controle.

É consenso dizer que a Taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. Inflação essa medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2020, a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4%, com tolerância de 1,5% para cima ou para baixo. Para ter uma referência, o IPCA medido no acumulado de 12 meses terminados em março fechou em 3,3%, o menor resultado acumulado em 12 meses desde outubro do ano passado.

Considerando a meta, a inflação ao final do de 2020 não deve ser maior que 5,5% ou menor que 2,5%. E aqui está um dos desafios do BC para o ano, uma vez que com a pandemia a inflação estimada para o ano está abaixo de 2%, segundo dados do boletim Focus. Para 2021, a meta oficial é de 3,75%, também com margem de 1,5% para cima ou para baixo.

Cabe lembrar que no fim de 2019 a inflação subiu bastante por conta da carne e do dólar, mas agora arrefeceu porque tanto a produção quanto o consumo foram interrompidos com a situação da pandemia do coronavírus.

Uma Taxa Selic mais baixa permite condições mais baratas de financiamento, empréstimos e crédito, o que tende a aquecer a economia e elevar os preços (inflação), justamente o que o Brasil precisa neste momento.

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Selic em 2,25% ao ano: fim da renda fixa para o pequeno investidor?

Não. Definitivamente não. Os “profetas da perda fixa” estão cada vez mais ousados e felizes, afinal de contas com a rentabilidade cada vez menor dos produtos conversadores, mais suas estratégias de convencimento voltadas para o risco ficam eficientes. E não há nada errado nisso.

Uma carteira inteligente pressupõe diversificação e investimentos em diferentes tipos de ativos, dos conservadores aos mais arrojados, mas com percentuais que variam de acordo com o perfil do investidor, seu nível de conhecimento e apetite pelo risco.

A situação agora é mais desafiadora em termos de retorno sem risco, mas se queremos um dia ser uma economia desenvolvida, isso é absolutamente normal (e até saudável). Mas isso não significa também que a renda fixa deve ser esquecida como parte de uma carteira de investimentos bem montada.

Considerando o cenário atual de Selic em 2,25% ao ano, fiz uma rápida simulação de rentabilidade considerando cinco aplicações: caderneta de poupança, Tesouro Selic, fundo de renda fixa que investe apenas em LFT, títulos equivalentes ao Tesouro Selic para a pessoa física, CDB e LCI.

Algumas observações importantes antes de conferir a tabela:

  • O Tesouro Selic possui cobrança obrigatória de 0,25% ao ano de taxa de custódia, paga à B3;
  • O fundo de renda fixa do exemplo investe apenas em LFT, equivalente ao Tesouro Selic, mas não cobra nenhuma taxa (e não existe a taxa de custódia da pessoa física mencionada no item anterior);
  • O CDB a 100% rende o mesmo que o fundo de renda fixa, pois são equivalentes, mas mantive para demonstrar outro produto;
  • Levando em conta que o CDI fica sempre um pouco abaixo da Selic nominal, considerei 2,15% como sua referência para um ano;
  • Tesouro Selic, fundo de renda fixa e CDB possuem cobrança de Imposto de Renda e isso foi considerado de acordo com os prazos de aplicação;
  • A simulação leva em conta a manutenção da Selic em 2,25% ao ano por todo o período do exemplo, o que obviamente não deve acontecer. Portanto, o caráter do exemplo é ser ilustrativo, não uma recomendação.

Confira a tabela de rentabilidade:

Prazo Poupança Tesouro Selic Fundo de renda fixa CDB 100% do CDI LCI 100% do CDI
3 meses 0,39% 0,35% 0,42% 0,42% 0,54%
8 meses 1,05% 1,01% 1,14% 1,14% 1,42%
1 ano 1,58% 1,58% 1,76% 1,76% 2,13%
2 anos 3,17% 3,37% 3,68% 3,68% 4,33%
Elaboração: autor

Como você pode perceber, os retornos estão cada vez mais próximos e passam a ficar realmente diferentes quando o prazo se dilata e as alíquotas de IR diminuem, principalmente depois de dois anos.

Para um ano, a expectativa de inflação, próxima de 2%, acaba sendo maior que retorno de praticamente todos os investimentos, com exceção da LCI 100% CDI (que é bem difícil de encontrar, diga-se).

Parece que vamos conviver com um período em que o dinheiro na renda fixa vai, na melhor das hipóteses, empatar com a inflação. Digo isso porque tanto a Selic quanto a inflação tendem a cair mais, mantendo a conclusão do exemplo mais ou menos inalterada, mesmo que com taxas diferentes.

Isso não quer dizer, no entanto, que você deve abandonar a renda fixa. A reserva de emergências, por exemplo, precisa de liquidez e muita segurança. É na renda fixa e ponto. Cabe avaliar opções, claro.

O principal, fica claro, é que na atual situação e diante do que vem pela frente, o investidor consciente precisa estudar mais sobre alternativas de investimento diferentes daquelas que todo mundo conhece. Eu começaria com fundos multimercado e bolsa de valores, e voltaremos a este assunto em novos textos por aqui.

Foto: Pixabay.

—— Este artigo foi escrito por Conrado Navarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

O empreendedor resiliente também sabe desistir

Empreendedor resiliente também sabe desistir (e mudar)

Dizem que o empreendedor (sobretudo o pequeno) deve ser maduro, focado, persistente. Deve ser visionário, enxergar oportunidades, ser um bom líder, saber operar todos os processos de sua empresa, ser benevolente, contribuir para a sua comunidade, estar por dentro de tudo sem ser invasivo e por aí vai.

Uma lista interminável de “qualidades” que fazem com que tenhamos de ser quase super heróis da vida real. Sem esquecer da onipresente “resiliência”. Acredito que, quando interpretada erroneamente, a tal resiliência pode ser uma armadilha que nos impede de perceber quando um ciclo deve se encerrar dignamente.

Partir pra outra. Sim, o seu empreendimento não é um casamento do passado, uma prisão sem direito a divórcio. Você pode, e por vezes deve, deixá-lo pra trás, fechar as portas e recomeçar. Não do zero, porque todos os dias aprendemos algo. Chega dessa infantilidade de “meu sonho”, caro empreendedor.

Leitura para empreender: “Quebre a Caixa, Fure a Bolha” (clique)

Empreender não se faz dormindo, se faz acordado, e bem acordado. E a tal resiliência pode ser só teimosia disfarçada em uma palavra mais bonita.

Se há uma coisa que o empreendedor deve saber fazer é encerrar ciclos. Sei que é difícil. Cada pedacinho daquela loja tem um valor sentimental. Só nós sabemos o quanto foi difícil colocar o gesso naquele cantinho. Quanto custou aquele ar condicionado. O quanto fomos roubados, processados e mantivemos a cabeça erguida.

Cada vitória foi uma vitória pessoal. A cada derrota – e foram muitas – conseguimos forças e empréstimos para recomeçar. Então, quando sentimos que o negócio já se esgotou, temos muita resistência em abandonar o barco. Afinal, o capitão deve ficar no leme, né? Firme, ser exemplo e acreditar sempre. Balela de quem nunca empreendeu.

Já contei em outras ocasiões que fui franqueada de uma grande rede por 15 anos. No início, foi ótimo. Depois bom, depois ruim, depois péssimo, depois quase insuportável. O negócio mudou? Sim, mudou bastante, mas quem mais mudou fomos nós, os proprietários.

Sempre soubemos que não seria um empreendimento para envelhecer operando. Muitas regras, pouca autonomia e margem apertada fazem com que o empreendedor maduro não queira mais se submeter. Mudou a rede, mas sobretudo mudamos nós. Hora de encerrar a parceria e deixar com que outro novo empreendedor seja feliz e aprenda.

É triste, é um fracasso, foi um tempo desperdiçado? Não, de forma alguma. Essa é uma mentalidade muito antiquada, de quando as pessoas desejavam entrar em uma empresa e ali ficar até a morte. O mundo não é mais assim, e as carreiras não são lineares. É bom que assim seja.

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A pandemia que vivemos acelerou a reflexão e a tomada de atitudes de vários empreendedores. Vou te contar dois casos próximos.

Um é meu vizinho de loja. Tem uma papelaria e loja de miudezas e doces há 19 anos no mesmo local, próximo a uma escola. A escola já vinha com muitas greves, paralisações, dias sem aulas e, consequentemente, minguando a quantidade de alunos. A gurizada que antes lotava a loja comprando balas, lápis e cartolinas foi sumindo. Com a pandemia, desapareceu.

O Elias e sua esposa já tinham percebido, como empreendedores experientes que são, que não valia mais o esforço de trabalhar treze horas por dia. Longe da filha, almoçando marmita, pagando impostos e fornecedores. Depois de muita reflexão, chegou a hora de encerrar o ciclo. Derrota? Nem perto disso.

Transferiram o estoque para a outra papelaria que tinham em um cômodo de sua casa, se livraram do aluguel e abriram uma padaria ao lado de casa. Agora estão mais próximos, mais felizes e com o ânimo renovado para seguir empreendendo. Sem lamentações contra governo, contra preço de aluguel, nada. Simplesmente faz parte da vida do empreendedor a mudança.

Outra é uma amiga que tem um estúdio de Pilates incrível aqui na cidade. É uma empreendedora muito inteligente e ousada. O estúdio é enorme. Além do negócio físico, é uma influenciadora digital importante na área.

Cenário pandemia, tudo fechado. O que fazer? Chorar, reclamar, ficar nas redes sociais compartilhando centenas de posts? A resposta foi: refletir e antecipar o encerramento do ciclo. Entregar o ponto comercial não com sentimento de derrota.

O cenário fez com que ela enxergasse que em sua casa havia um espaço enorme que poderia ser reformado e ficar até melhor que o anterior. E foi isso que fez. São exemplos simples, de pessoas simples, que vivem desafios diários que todo o empreendedor ou prestador de serviços vive. 

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Resiliência é “a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”. Como não somos materiais, mas sim seres humanos em constante formação, não precisamos “voltar à forma original”.

Devemos ser resilientes no sentido figurado. Na capacidade de se adaptar facilmente às circunstâncias. Só que se adaptar, às vezes, significa fechar as portas e partir para outra. Caro empreendedor, você está pronto?

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—— Este artigo foi escrito por Cristina Pizarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

Devo investir na bolsa de valores com menos dinheiro (e mais jovem)?

Devo investir na bolsa de valores com pouco dinheiro e jovem?

Quem diria que investir na bolsa de valores brasileira seria uma decisão de pessoas cada vez mais jovens? Além de entrar mais cedo no mercado de ações, o investidor brasileiro também aumentou em número e começa com aportes menores.

Na prática, o movimento mostra que existem mais brasileiros dispostos a investir na bolsa, ainda que comecem com menos dinheiro. Segundo dados divulgados pela B3, de 2018 para 2020 o saldo médio do investidor caiu mais da metade, de R$ 19 mil para R$ 8 mil.

Os investimentos iniciais feitos pelos brasileiros também caíram em proporção semelhante quando comparados dados de 2016 e 2020: os primeiros aportes eram de R$ 3,5 mil em média, mas em março deste ano foram de R$ 1,6 mil.

Parece que investir na bolsa é também uma decisão de investidores com nível de renda menor, o que é muito bom para o mercado como um todo, mas uma constatação que também requer muita atenção do novo investidor que decide abraçar o risco (e vamos falar disso adiante).

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Investir na bolsa é para todos

Existe uma diferença entre simplesmente abrir conta e se tornar mais um CPF cadastrado na bolsa de valores e de fato investir, ou seja, negociar ativos. Entre os novos investidores, prevalece o perfil de quem realiza pelo menos uma operação por mês. O day trade é apenas uma pequena parte.

Em entrevista recente para o jornal Valor, Tarcisio Morelli, diretor de inteligência da B3, confirmou que os novos investidores são pessoas que colocam parte dos recursos em bolsa e aguardam acontecimentos para a tomada de novas decisões. São poucos os que realizam day-trade de forma recorrente”.

Para entender a mudança no perfil do investidor, precisamos levar em conta a quantidade de novos entrantes. O brasileiro com nível menor de renda passou a investir na bolsa de valores, tanto por conta do maior apelo com os juros mais baixos, mas também pela crescente conscientização acerca da importância da diversificação (e da educação financeira).

Voltando bastante no tempo, para 2011, observa-se que naquele período existiam 238 mil investidores com menos saldo de até R$ 10 mil na bolsa de valores. Os números mais recentes mostram alta de mais de 400% em pouco menos de 10 anos: hoje são mais de 1 milhão de investidores que mantém menos de R$ 10 mil em ativos negociados na B3.

Morelli também foi enfático ao dizer que a base de investidores está cada vez mais jovem, com destaque para os investidores que têm até 39 anos. Hoje, este grupo representa 60% do total de investidores, contra pouco mais de 15% em 2011.

A diversificação por parte dos investidores aumentou também considerando os produtos disponíveis através da B3. Quase metade dos investidores ativos hoje possuem cinco ou mais ativos na carteira, o dobro de três de anos atrás.

A necessidade de arriscar mais para buscar retornos maiores já está presente no dia a dia financeiro de muitos brasileiros, e isso é excelente para o saudável crescimento do mercado de ações. Investir na bolsa de valores é também investir no crescimento do país, o que estimula a economia e gera empregos.

O problema hoje é que o momento requer muita atenção, afinal de contas a pandemia do coronavírus e a incerteza gerada a partir dela tornam incerto o futuro de muitas empresas. Precisamos falar sobre isso, principalmente para os que começam agora sua aventura pelo mercado de risco.

Leia também: Mais investidores na bolsa de valores: loucos, visionários ou nada demais?

Antes de investir na bolsa, atenção para as empresas listadas

O momento atual de enorme pressão no caixa das empresas é um desafio gigante para o futuro próximo, considerando a necessidade de isolamento social, falta de disposição dos consumidores em retornar ao consumo e a nova realidade de renda de grande parte dos Brasil.

Segundo um estudo da consultoria McKinsey divulgado recentemente, apenas uma em oito empresas tem capacidade de honrar seus compromissos financeiros em um horizonte de até três meses. A avaliação foi feita a partir de projeções de 261 empresas de capital aberto listadas na B3.

Considerando o nível de endividamento das empresas analisadas, o estudo concluiu que um terço está em situação muito ruim, com relação entre a Dívida Líquida e EBITDA superior a 3, patamar considerado razoável (administrável) quando em tempos “normais” (o que não é o caso). Este índice mostra o grau de endividamento da empresa.

Para entender melhor, este indicador dá ao investidor uma noção de quanto tempo a empresa levaria para pagar suas dívidas caso a dívida líquida e o EBITDA permaneçam constantes. Com a deterioração das previsões, o índice em alguns casos disparou, podendo pode piorar ainda mais caso a economia não se recupere com tanto vigor – que parece mais provável.

Os cálculos da consultoria mostraram ainda que 26% das empresas avaliadas está quase chegando no patamar de 3 para índice explicado acima, enquanto 15% das companhias possui alto endividamento aliado a valor de mercado abaixo do valor contábil.

O que isso tudo quer dizer agora é que:

  • As empresas terão mais dificuldades para ter acesso a mais crédito. Empresas mais endividadas precisarão renegociar suas dívidas e não terão acesso fácil a novas linhas de financiamento, dependendo mais do retorno da atividade econômica e da tarefa de casa de lidar com custos e despesas de forma mais severa;
  • O efeito cascata pode gerar complicações maiores. Nenhuma empresa é uma ilha, especialmente as de capital de aberto. Há uma cadeia envolvida e os reflexos são e serão vistos por toda sua extensão;
  • A retomada é incerta, e seu efeito imprevisível. As previsões de fluxo de caixa, receita operacional e lucros são feitas e refeitas quase que semanalmente, com cenários diferentes e muitas variáveis. Os modelos usados não conseguiram se aproximar da realidade porque a crise vivida atualmente é sem precedentes.

Para o iniciante que quer começar a investir na bolsa de valores, o cenário não pode ser ignorado. Os preços aparentemente baixos das ações podem esconder negócios com futuro duvidoso, dependentes de situações e cenários hoje distantes da realidade – alguns deles podem não se concretizar.

Por outro lado, empresas com boa situação de caixa, baixo endividamento e bons fundamentos podem se sair melhores. Sempre surgem muitas oportunidades de negócios, como fusões, que podem permitir maior consolidação e vantagens competitivas durante e depois da retomada. O investidor deve estar atento a isso.

Atenção especial também para a questão dos dividendos, que devem ser bastante reduzidos durante este momento – e isso faz sentido porque o foco é a preservação do caixa para atravessar a “tempestade”.

Assim, não adianta apenas olhar o chamado Dividend Yield, mas também considerar os aspectos mencionados neste breve texto, além de analisar mais profundamente a empresa em relação aos seus pares e ao mercado como um todo.

Clique e assista ao video que preparamos!

Conclusão

O novo investidor chega antes ao mercado de ações e com menos dinheiro, e isso é muito interessante. Quem deseja investir na bolsa de valores deve antecipar sua entrada, mas não comprar apenas “porque tudo parece estar em liquidação”. O investimento precisa ser consciente e a decisão capaz de ser explicada.

Foto: Pixabay.

—— Este artigo foi escrito por Conrado Navarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

Caderneta de poupança cresce na pandemia: isso faz sentido?

Caderneta de poupança cresce na pandemia - notas de real brasileiro

Não há dúvida de que a caderneta de poupança é o investimento mais popular do Brasil, mesmo que hoje seu retorno não consiga ser tão interessante a ponto de colocá-la como um investimento de verdade (vamos falar disso adiante).

Segundo as novas regras criadas em 2012, a caderneta de poupança passou a render o equivalente a 70% da Taxa Selic, que baixou recentemente para 3% ao ano. Assim, a rentabilidade da poupança atualmente é de 2,1% ao ano.

Para muitas famílias, a poupança é sinônimo de liquidez e facilidade de acesso ao dinheiro. Assim, ao se anteciparem frente à emergência da realidade, muitos brasileiros acabam mantendo mais recursos na poupança, tirando de outras aplicações.

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Caderneta de poupança cresce na pandemia

Em abril, a caderneta de poupança recebeu milhares de novos aplicadores e recursos. Os brasileiros depositaram nada menos que R$ 215,36 bilhões na poupança, sacando R$ 184,9 bilhões. A captação líquida, diferença entre o dinheiro novo que chegou e o que foi resgatado, foi de R$ 30,46 bilhões – a maior desde 1995.

Considere que durante todo o ano de 2019, a poupança angariou R$ 13,33 bilhões. Só em abril de 2020, captou mais de duas vezes o total do ano passado. O total aplicado na poupança por todos os brasileiros alcançou R$ 881,66 bilhões, um recorde. Dados como estes são sempre divulgados pelo Banco Central, mas o que será que podemos aprender com eles?

Não preciso lembrar que estamos em um momento único no mundo, com uma desaceleração econômica abrupta por conta da necessidade de isolamento social e cuidados com a pandemia do coronavírus.

Faz sentido crescer tanto assim a captação de um dos piores investimentos do país? Sim. Não. Mais ou menos. Qualquer resposta pode ser trabalhada para “explicar” o que aconteceu (e continua acontecendo). Vamos palpitar um pouco juntos?

Caderneta de poupança inchou com o auxílio emergencial?

Um acontecimento óbvio que parece ter relação direta com o aumento da captação é o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial, parte de um programa de transferência de renda e apoio para profissionais liberais, autônomos e pessoas vulneráveis.

O dinheiro do auxílio foi depositado em uma poupança, e muitos brasileiros ainda não bancarizados não tiveram como sacar o dinheiro ou mesmo usá-lo para pagamento de contas no dia a dia.

Segundo informações oficiais da Caixa Econômica Federal do dia 30/04, 50 milhões de brasileiros receberam em abril o equivalente a R$ 35,5 bilhões. Como o pagamento acaba acontecendo ao longo do mês, dá pra imaginar que uma parte do total ficou represada na poupança enquanto a maior parte foi realmente retirada/utilizada, dada a realidade financeira das famílias afetadas.

Caderneta de poupança cresceu já que gastamos menos?

Outro pensamento que faz sentido, mas que talvez não seja condizente com um volume tão expressivo de dinheiro, é o de que pessoas que mantiveram maior isolamento e estão trabalhando de casa puderam economizar e guardar parte destas economias.

Em um momento tão complicado, é desejável mesmo que tenhamos a consciência de que guardar dinheiro faz muita diferença, mas será que a poupança é a melhor alternativa para isso? Ela é a mais conhecida e acessível, mas é sempre bom lembrar que existem alternativas.

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Caderneta de poupança ficou mais interessante que outras aplicações?

Uma coisa interessante aconteceu em março de 2020: a poupança teve ganho real (acima da inflação), algo que não acontecia desde novembro de 2019. A rentabilidade foi de 0,21%, enquanto o IPCA (medido pelo IBGE) ficou em 0,07%. Nos últimos 12 meses, no entanto, o IPCA está em 3,30%, bem acima dos 2,1% de retorno anual da poupança.

Em meio a um cenário de altíssima volatilidade na renda variável, com o mercado de ações reagindo de forma muito tensa a toda e qualquer novidade em relação à pandemia e nossa situação política (sempre um capítulo à parte), muitos investidores acabaram rebalanceando suas carteiras e procurando algo mais seguro e previsível.

Some a isso mais dois fatores: 1) muitos fundos de renda fixa ofereceram rentabilidade negativa em março e abril por conta da marcação a mercado dos títulos públicos; e 2) vários fundos de crédito privado (debêntures) também tiveram retorno negativo em março.

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Conclusão

Parece que a poupança, velha conhecida de todos, (re)apareceu quase que como um oásis. Sabemos, na verdade, que não é bem assim, mas nestes momentos o investidor sempre pensa que é melhor garantir pouquinho que correr o risco de perder ainda mais. Modo sobrevivência ativado.

Tudo que eu levantei neste texto pode ser facilmente refutado e até mesmo distorcido. O apaixonado pela calmaria da poupança pode dizer que estou enaltecendo a caderneta e que devemos aplicar nela. Não estou e não disse isso.

O apaixonado pelo risco pode dizer que o ideal é fazer exatamente o oposto, ou seja, aproveitar que todo mundo está fugindo dos ativos com mais volatilidade para comprar mais ações e negociar na bolsa de valores. Será mesmo?

Eu fiz a ressalva de que a resposta para a captação recorde de abril de 2020 seria cheia de pitacos. Algumas coisas até fazem sentido, mas em se tratando de dinheiro, educação financeira e tomada de decisões, sempre há mais complexidade do que as aparências mostram. Você concorda?

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—— Este artigo foi escrito por Conrado Navarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

Mais investidores na bolsa: loucos, visionários ou nada demais?

investidores na bolsa de valores - terminal e mercado de ações

Segundo números da B3, o número de investidores na Bolsa passou 2.250.000 em março de 2020. Isso é mais que o dobro do total em março do ano passado. Só em março de 2020, 300 mil novos investidores entraram no mercado.

Muita gente, né? Depende do ponto de vista. Se considerarmos nossa população, menos de 1% do total está na bolsa. No Chile, por exemplo, 3,4% da população investe em ações. Na Colômbia, 2,3%. A média dos emergentes é próxima de 5%. Nos EUA, 52% são investidores na bolsa.

Selic lá embaixo, com perspectiva de cair mais – falam em 3% ainda no primeiro semestre. Inflação baixa. Tem gente inclusive falando que estamos em um momento tão maluco que “imprimir dinheiro não geraria inflação”. Imprimir dinheiro, sem inflação? Repercutimos isso em texto recente aqui no Dinheirama.

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Cadê a rentabilidade que estava aqui?

O número de investidores na bolsa parece crescer na mesma medida em que a rentabilidade dos produtos conservadores cai para níveis historicamente baixos – e com uma tendência de o movimento se acentuar. E a lógica faz sentido.

Acontece que a queda da bolsa brasileira, do pico de quase 120 mil pontos para pouco mais de 60 mil pontos no auge da retração em menos de um mês, mostra o quanto a renda variável é realmente um investimento de risco, que varia bastante como o próprio nome já diz.

A razão para mais de um milhão de investidores terem entrado no mercado nos últimos 12 meses parece ser a genuína busca por mais rentabilidade, mas como ficam os ânimos e as novas decisões de investimento diante da correção vista no começo de 2020?

A primeira (grande) crise é inesquecível

Perigo ou oportunidade, a avaliação precisa ser consistente com o foco do investidor e seu perfil de risco. O fato é que muitos investidores na bolsa viveram sua primeira grande crise com dinheiro de verdade alocado em ações.

Um aprendizado e tanto, mas será que as lições serão realmente fixadas? O teste está em curso. A busca por maior rentabilidade no longo prazo precisa continuar com maior exposição ao risco, mas sem deixar de lado a importância de construir a reserva de emergência e outros objetivos conservadores de curto e médio prazo.

O “crash” já aconteceu. A crise já chegou e seus efeitos ainda serão conhecidos. O mercado se antecipa, mas será que já conseguiu “entender” os impactos de algo que ainda está em curso? Quando a economia vai realmente voltar a girar? Os consumidores seguirão os mesmos padrões? Recessão ou depressão adiante?

Para muitas perguntas sem respostas, precisamos nos preparar com ações concretas, como proteção do patrimônio e escolhas conscientes de empresas fortes o suficiente para sobreviver e se beneficiarem do resultado de tudo isso.

O que não devemos fazer é lamentar pelo que não fizemos ou simplesmente desanimar porque nosso comportamento antes de tudo isso não foi o melhor possível. A situação atual não estava no radar da maioria das pessoas, portanto pare de remoer o que já passou.

Leia também: Preciso de muito dinheiro para me tornar um investidor?

A armadilha do “e se”

Pare de remoer! Não caia na armadilha tentadora do “e se”. Tudo o que você compreende tardiamente deve ser usado como parte do seu aprendizado para cometer menos erros, nunca para se transformar no “pesadelo a posteriori”.

Se eu tivesse comprado naquele dia, hoje já teria dobrado meu investimento…

…se eu tivesse vendido naquele momento, não estaria tão desesperado agora…

…eu sabia que aqueles preços eram muito baixos, mas não segui minha avaliação…

…hesitei e não consegui seguir minha estratégia…

…poderíamos preencher todo o limite de caracteres aqui descrevendo como a memória seletiva e seu potencial destrutivo podem tornar a já difícil vida do investidor um inferno.

Analisar o passado é sempre muito fácil, mas é pura retórica para distrair você do que você pode fazer, de fato. Você só vai ser um investidor melhor amanhã se não cair na tentadora armadilha do “e se” hoje, agora. É uma luta diária para que o mundo a posteriori não se torne sua nova realidade.

As consequências deste comportamento são trágicas: tomada excessiva de riscos, apostas puramente emocionais e um sentimento de competição sem fundamento. Você não só vai perder feio do mercado, como vai se perder de si mesmo.

Siga sua estratégia (ou crie uma)

Dicas do que fazer, conselhos gratuitos e (bem) pagos, muitos relatórios daqui e de lá, tenha em mente de que todo esse conteúdo disponível hoje em dia se resume a opiniões, não verdades. É o que pensam outras pessoas e empresas.

É importante que você seja capaz de criar a sua própria visão das coisas para só então “colocar seu dinheiro onde sua boca está”, para usar expressão comum que vale mais do que muitas palavras lidas e vídeos assistidos.

Crie sua estratégia. Siga sua estratégia. Em outras palavras, desenhe sua carteira de investimentos considerando o seu perfil, sua realidade financeira, horizonte de investimento e possibilidades de aportes. Aprenda com os outros, mas decida-se sozinho. Assuma a responsabilidade.

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Conclusão

Ainda que o investidor estrangeiro esteja fugindo de nosso mercado de ações, é natural que o número de investidores em bolsa continue crescendo. Enquanto os retornos da renda fixa continuarem caindo e em patamares tão baixos, mais pessoas se arriscarão em diferentes tipos de investimento.

O que você não deve fazer é migrar sua carteira “porque está todo mundo fazendo isso” e, neste processo, arriscar o dinheiro que estava reservado para outros objetivos. Ou vender carro, casa para fazer uma espécie de all-in nos ativos de risco. Isso é molecagem, coisa de maluco mesmo.

Respeite os acontecimentos, assuma a responsabilidade e arrisque aquilo que faz sentido. Repense tudo sobre sua carteira de tempos em tempos. Ainda mais a partir de agora, sua primeira crise. E pensar que 2020 está só começando, hein? Uau!

Foto: Pexels.

—— Este artigo foi escrito por Conrado Navarro. Este artigo apareceu originalmente no site Dinheirama.A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama

À espera de queda de 33% do PIB americano no 2º trimestre, BlackRock vê oportunidade em ativos “estressados”

SÃO PAULO  – A BlackRock, a maior gestora do mundo, com administração de cerca de US$ 6 trilhões em ativos, prevê uma queda de 33% do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre de 2020.

E o tombo deve gerar um processo desinflacionário de curto prazo, prevê Rick Rieder, CIO global de renda fixa da BlackRock. “Em um ambiente assim, com os juros em níveis tão baixos por um período prolongado, encontrar rendimentos de forma consistente para os investidores será um dos principais desafios para os gestores”, afirmou, durante live realizada pela XP na noite de quinta-feira.

Neste novo contexto, a classe conhecida como ativos estressados (ou distressed debt, em inglês), composta por dívidas de empresas com dificuldades financeiras, é, na visão de Rieder, uma das melhores oportunidades à disposição dos investidores no curto e médio prazo.

“Estão ocorrendo muitos processos de reestruturação de dívida corporativa”, afirmou o gestor, acrescentando que o estimulo do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) comprando títulos no mercado está fazendo os ativos de melhor qualidade convergirem para um retorno próximo a zero.

“Os ativos estressados são uma boa oportunidade tanto para os investidores como também para as empresas que precisam de financiamento, e temos buscado aumentar nossas operações nesse segmento”, disse Rieder. Segundo ele, os mercados emergentes poderão ser atrativos para as carteiras de distressed debt da gestora nos próximos meses. “Vamos demorar mais do que as pessoas estão prevendo para retornar ao patamar pré-crise.”

Setor > Rating

Dentre as opções mais tradicionais da renda fixa privada, o CIO da BlackRock afirmou que no momento se atenta menos para o nível de rating dos papéis, e mais para os setores em que as emissoras estão inseridas.

“Empresas ‘high grade’ (de rating mais elevado) de companhias áreas ou de energia e varejistas podem ter mais dificuldade”, disse o CIO. “Estamos focando mais em ativos ‘high yield’ [com classificação mais baixa] de setores como saúde e tecnologia.”

Apesar de ressaltar a importância de manter uma postura cautelosa em face das incertezas, fazendo uma administração prudente do caixa, Rieder ponderou que o investidor não deve se ausentar completamente do mercado.

“O S&P 500 subiu aproximadamente 28% desde o dia 23 de março”, afirmou. “Ou seja, o investidor que sacou os recursos perdeu um rali de duas semanas com um retorno geralmente obtido em alguns anos.”

Oportunidades e riscos locais

Em relação ao Brasil, o gestor disse enxergar oportunidades “significativas” na renda fixa após as medidas de estímulo anunciadas nas últimas semanas e também devido à implantação de uma agenda liberal desde a gestão Temer.

“Ficamos impressionados com a aprovação das reformas no ano passado, embora estejamos um pouco decepcionados com o ritmo de retomada na região”, afirmou o especialista, que prevê uma queda do PIB brasileiro ao redor de 4% neste ano.

A elevada volatilidade do câmbio, contudo, tem contribuído para manter o freio de mão da BlackRock puxado em relação aos investimentos no país. “Esperamos por alguma estabilização da moeda a partir de agora”, afirmou Rieder, que reconheceu a complexidade de fazer previsões para o câmbio dada a quantidade de variáveis que influenciam as divisas.

Efeitos secundários do “quantitative easing

Após a forte queda do PIB americano no segundo trimestre, a BlackRock acredita que os estímulos fiscais e monetários em níveis sem precedentes devem levar a economia a uma recuperação em “V”, com crescimentos próximos de 10% nos trimestres seguintes.

“A perda de renda por conta da crise deve ser ao redor de US$ 700 bilhões. No entanto, os estímulos do governo americano devem totalizar US$ 2 trilhões, o que nos dá conforto para fazer investimentos no mercado agora”, afirmou o CIO.

Inclusive, as medidas adotadas pelo Fed já começam a surtir efeito, disse Rieder, ressaltando que a onda de saques de investidores em busca de liquidez está diminuindo, com o início da volta do dinheiro ao mercado.

Rieder disse também que a injeção estatal de liquidez tende a gerar uma pressão inflacionária nos próximos anos, ainda que a sinalização de curto prazo seja desinflacionária. “Não devemos esperar uma inflação de dois dígitos, mas será mais alta do que temos hoje.” No ano, até março, a inflação americana sobe 1,5%.

Para se proteger contra o risco inflacionário, os fundos geridos por Rieder, que administra cerca de US$ 2,3 trilhões nas estratégias de renda fixa da BlackRock, tem feito posições de proteção contra a inflação. Uma exposição em ouro de 5% também tem sido mantida no portfólio como forma de hedge para um cenário de perda no valor de compra.

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