Curva invertida reflete mais medo global do que recessão nos EUA

(Bloomberg) — A curva de juros dos Estados Unidos flerta novamente com outra ampla inversão, realimentando temores de Wall Street sobre o destino da economia norte-americana.

Um coro crescente de especialistas está sendo influenciado por outro fator: o sinal pode dizer mais sobre o estado da economia global do que sobre o ciclo econômico dos EUA.

Os títulos do Tesouro dos EUA agora respondem por mais da metade de todos os ativos globais considerados seguros, o dobro da proporção que representavam durante a crise financeira, segundo a Eurizon SLJ Capital. Isso complica as coisas quando os juros de longo e curto prazo se invertem: o que costumava ser um indicador confiável de recessão nos EUA é, em vez disso, um termômetro de investidores em busca de proteção em todo mundo.

É uma narrativa que faz muito sentido, pois a ameaça do coronavírus continua a aumentar e reacende o debate do ano passado sobre o poder de previsão ainda embutido na curva.

“Em busca de segurança e duração, todo mundo está indo para os Treasuries dos EUA”, disse Gregory Faranello, chefe para juros dos EUA na AmeriVet Securities. “A inversão da curva de juros agora é sinal de problemas de crescimento global e não reflete realmente o que está acontecendo nos EUA.”

Após uma pausa no início da semana passada, a curva está novamente achatando, e a diferença entre a taxa dos títulos do Tesouro de 10 anos e a de três meses diminuiu pelo terceiro dia na segunda-feira. No auge da ansiedade causada pelo coronavírus e onda de venda de ações no fim do mês passado, a curva se inverteu brevemente pela primeira vez desde outubro.

Os rendimentos dos títulos geralmente aumentam em linha com a duração da dívida porque compensam os efeitos da inflação. Se o retorno de uma nota de 10 anos for inferior ao de um título de três meses, sugere que os investidores têm uma visão pessimista do crescimento e inflação daqui a uma década.

Stephen Jen, presidente da Eurizon SLJ, diz que o apetite global por títulos de dívida dos EUA ajuda a explicar o caso excepcional dos EUA em termos de crescimento, mercados de câmbio e ações.

Jen prevê que até 2022 a dívida do governo dos EUA representará dois terços do volume mundial de títulos considerados seguros graças à grande emissão e à flexibilização quantitativa de outros bancos centrais. Seus cálculos são baseados no montante pendente de dívida do governo nos EUA, Japão e nas três maiores economias europeias, subtraindo a parcela que pertence aos bancos centrais.

“Os EUA podem, perversamente, prosperar por causa de problemas em outros lugares”, disse Jen em entrevista. “Quando os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano caem devido a choques fora dos EUA que podem ou não ter um impacto na economia norte-americana, isso geralmente fornece estímulos adicionais.”

É uma visão que autoridades do Federal Reserve estão prestando muita atenção diante do aumento dos riscos globais decorrentes do vírus. Em entrevista à Bloomberg TV na sexta-feira, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, minimizou a inversão da curva e disse que o spread negativo “é na verdade impulsionado não tanto pelas perspectivas para a economia dos EUA, mas globalmente”. Quando há incerteza, o dinheiro flui para os EUA, disse, por isso os atuais movimentos dos rendimentos não refletem as perspectivas para os EUA.

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Recuperação virá para Vale e siderúrgicas, mas coronavírus seguirá impactando ações no curto prazo

SÃO PAULO – O temor sobre o coronavírus chinês segue afetando negativamente o mercado, e isso não deve acabar tão cedo. Apesar disso, o analista Thiago Lofiego, do Bradesco BBI, mantém uma visão otimista para o setor de mineração e siderurgia, acreditando que a partir do segundo trimestre o cenário deve voltar a melhorar.

Em relatório publicado no domingo (9), Lofiego diz os investidores devem se preparar para uma maior volatilidade nas próxima semanas, citando que as quedas das ações podem ser boas oportunidades de compra.

“Estamos lentamente aumentando posições a nomes como Vale, Gerdau, Usiminas e GMEX, pois esperamos uma normalização [do mercado] a partir do segundo trimestre”, afirma o analista.

Desde o dia 20 de janeiro, quando teve início a queda dos papéis por conta dos temores com o coronavírus, as ações da Vale já recuaram 11,4%, enquanto a Gerdau teve perdas de 9,2%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 5,4%.

A exceção fica com a Usiminas, que recuou de apenas 2,7%, favorecida por uma disparada de 14% das ações apenas no dia 22 por conta de um relatório também do Bradesco BBI, que na ocasião apontou a empresa como sua favorita e disse que o papel estava bastante descontado.

Visando esta recuperação, o BBI agora mantém suas estimativas de preços de aço, minério de ferro, cobre, zinco e níquel para 2020, ressaltando que o impacto na demanda por conta do coronavírus deve ser “transitório” e provavelmente será compensado nos próximos meses.

Também em relatório, o Credit Suisse destacou que o minério de ferro teve o pior momento com o vírus chinês. “O minério de ferro foi precificado para uma demanda robusta e oferta reduzida no primeiro trimestre, mas o vírus levou ao oposto, com a demanda ausente e os estoques portuários provavelmente aumentando”, dizem os analistas.

O Credit destaca que algumas siderúrgicas recentemente diminuíram a produção em 20% a 25% devido à escassez de matérias-primas causadas por restrições no transporte rodoviário. Por outro lado, o banco aponta que a maioria das usinas deve ter suprimento adequado, a menos que as restrições rodoviárias continuem na segunda metade de fevereiro.

No caso do minério de ferro, o Bradesco BBI vê a commodity negociando entre US$ 75 e US$ 85 no curto prazo.

Do lado negativo, Lofiego aponta para as restrições de transporte, estoques ainda em níveis confortáveis nas siderúrgicas e altos nos portos chineses. Por outro lado, favorece o mercado a oferta sazonalmente ainda baixa do Brasil e possíveis interrupções no fornecimento na Austrália por conta da temporada de ciclones, deixando o cenário mais equilibrado.

“Por enquanto, esperamos que o impacto do coronavírus seja contido durante o primeiro trimestre, com a combinação de demanda reprimida e outros estímulos do governo ajudando a aumentar os preços das commodities nos meses seguintes”, afirma o analista.

Do lado das produtoras de minério, ele avalia que a perda potencial de embarques pode ser compensada nos próximos trimestres, enquanto no caso das siderúrgicas, o analista está otimista com a dinâmica da demanda local, além de esperar que a pressão internacional de preços ameace a alta dos preços domésticos, dado que o real está mais depreciado e ainda existem descontos para o material importado.

Com isso, ele reforça que suas ações favoritas no setor são as brasileiras Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), além da mexicana GMEX.

O Credit Suisse, por sua vez, apontou em relatório na última semana que os potenciais impactos temporários do coronavírus sobre a demanda podem ser compensados pela aceleração das medidas de estímulo na China nos próximos trimestres.

Neste cenário, os analistas do banco suíço mantêm recomendação outperform (desempenho acima da média) para os ativos, destacando que o valuation está descontado em relação aos pares e também tendo em vista a perspectiva de pagamentos de proventos ainda em 2020.

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As pessoas mais felizes do mundo têm um problema de dívida

(Bloomberg) — As pessoas mais felizes do planeta vão receber ajuda para administrar as finanças.

Na Finlândia, que liderou o mais recente Relatório Mundial da Felicidade das Nações Unidas, o banco central está elaborando uma estratégia de alfabetização financeira para os cidadãos.

A ideia, concebida em um país que já supera grande parte do mundo rico no setor de educação, é descobrir se um pouco mais de perspicácia financeira ajudará finlandeses a se endividarem menos.

O endividamento das famílias finlandesas dobrou nas últimas duas décadas em um cenário de queda das taxas de juros e obsolescência gradual do dinheiro como forma de pagamento. A população da Finlândia, sede de empresas como Nokia e Rovio, criadora do famoso game Angry Birds, é conhecida pela maior habilidade em tecnologia do que a maioria. Mas a disposição de adotar pagamentos digitais em vez de dinheiro coincidiu com menos disciplina nos hábitos de consumo.

Agora, um recorde de 7% dos 5,5 milhões de cidadãos da Finlândia não conseguem pagar as contas, um aumento de 30% em relação aos últimos dez anos. Nos últimos anos, autoridades alertaram sobre o crescimento em particular do crédito ao consumidor.

Juha Pantzar, presidente da Guarantee Foundation, que ajuda pessoas muito endividadas a recuperarem o controle das finanças, diz que o fato de que “o dinheiro desapareceu” criou uma nova realidade que “obscurece a percepção de muitas pessoas sobre o dinheiro”.

“Muitas pessoas têm dificuldade em estimar onde o dinheiro é gasto, quanto terão no final do mês e quanto podem se dar ao luxo de pedir emprestado”, disse.

Há cerca de 20 anos, o dinheiro vivo era usado em 70% das transações de pagamento nas lojas, e os cartões representavam o restante. Agora, essas métricas mudaram: cartões, celulares e outros modos de pagamento digitais foram usados em mais de 80% das operações em 2018, de acordo com dados compilados pelo banco central.

Olli Rehn, o governador do Banco da Finlândia, diz: “Muitos consumidores já mudaram para o mundo digital” quando se trata de pagamentos. “As pessoas não têm mais as limitações físicas de orçamento que costumavam ter e isso dificulta a administração de suas finanças.”

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Empresas debaixo d’água em SP; só no comércio, prejuízo pode ser de R$ 110 mi

Alagamento

A chuva que atinge São Paulo desde a noite deste domingo, 9, causa estragos pela cidade visíveis nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 10.

Algumas empresas, principalmente as localizadas próximas à Marginal Tietê e Marginal Pinheiros, nas zonas sul e oeste da capital, amanhecerem hoje debaixo de água. Enquanto tentam se organizar para manter ao menos parte de sua operação, os negócios contabilizam os prejuízos com a inundação e a falta de funcionários, que não conseguiram chegar ao trabalho.

O varejo da Região Metropolitana de São Paulo, da Capital, ABCD paulista, Guarulhos e Osasco deve deixar de faturar nesta segunda-feira R$ 110 milhões por causa da situação, segundo projeções da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

De acordo com o assessor econômico da Fecomércio-SP, Guilherme Dietze, essa cifra corresponde a 11% do receita de um dia das lojas instaladas nessas regiões e 0,40% do faturamento mensal.

Nesse cálculo, o economista considerou lojas que não foram abertas por falta de funcionários, outras que abriram, porém com o quadro de pessoal incompleto e deve registrar movimento muito fraco.

Segundo Dietze, os segmentos mais afetados pelas chuvas são supermercados, farmácias e de compras por impulso, como artigos de vestuário. Já itens de maior valor, como eletrodomésticos, devem ter as compras adiadas.

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Agência parada

O presidente da agência Young & Rubicam, David Laloum, disse nesta segunda que os trabalhos da sede principal da agência de publicidade estão completamente parados. A empresa, que fica na Marginal Pinheiros, teve o subsolo e o estacionamento tomados pela água na madrugada desta segunda. “Tentei ir à agência, pois moro a 1,5 km de distância, mas não consegui chegar porque o nível da água não para de subir”, disse ele.

A orientação da Y&R aos funcionários é que permaneçam em casa. A agência vem monitorando a situação, mas a informação atual é que o nível da água continuou a subir ao longo da manhã. Como parte da rede de computadores da empresa esta no subsolo, Laloum disse que existe risco de prejuízo para as operações – a verdadeira extensão do problema só deve ficar clara nos próximos dias, de acordo com o executivo. “Já tivemos um problema parecido, há cerca de 15 anos. Realmente está um caos.”

A Y&R tem escritórios em São Caetano do Sul, no ABC – para atender a conta da Via Varejo – e na Faria Lima. Alguns funcionários conseguiram chegar a esses locais, mas a orientação geral para todos os funcionários da companhia nesta segunda é evitar deslocamentos.

‘Perdi tudo’

O empresário Marcio Daré, de 40 anos, perdeu tudo na enchente que atingiu a grande São Paulo. Ele tem uma companhia de desenvolve maquinários especiais e trabalha com robôs nas cidade de Osasco, na Grande SP. “Estimo que meu prejuízo foi de mais de R$ 1 milhão”, conta.

A MCK Automação Industrial funciona em um condomínio comercial que reúne cerca de 30 galpões. “Todas as empresas foram afetadas”, conta Daré.

Ele tem 130 funcionários e diz que vai passar o dia contabilizando os prejuízos. “Tenho seguro, mas não sei se o seguro vai cobrir esse tipo de episódio. Há pessoas que trabalham no condomínio há mais de 20 anos e contam que nunca viram uma enchente assim. Eu mesmo nunca vivi nada parecido”, diz.

Daré afirma que a preocupação é não só com o dia de hoje, mas com os próximos. “Tenho várias encomendas, máquinas de clientes. Não sei como vou entregar isso e nem como vai ser o futuro da companhia. Uma tragédia dessas fez com que muitas pessoas fossem prejudicadas e muitas podem mesmo a vir ficar desempregadas”, diz.

Fabio Luís Schaderle, dono do restaurante Jaguar, no bairro paulistano de Campos Elíseos, decidiu não abrir as portas nesta segunda. Metade da equipe de funcionários não conseguiu chegar ao trabalho. Também não foram entregues os hortifrutis, que ele compra diariamente. Schaderle, que mora perto do restaurante, na região central, teve de ir a pé até o local, porque não conseguiu táxi nem carro de aplicativo.

O empresário diz que não é possível calcular o prejuízo por causa das chuvas. Segundo ele, as perdas não deve se restringir às cerca de 60 refeições diárias que vai deixar de servir. “Estou preocupado com a perda do estoque também”, explica.

Normalmente, ele tem produtos para um ou dois dias. No caso dos hortifrutis, que são abastecidos diariamente, o empresário está apreensivo com o aumento de preços desses itens que deve ocorrer por causa das perdas e da oferta menor. “Vou ter de mudar o cardápio”, prevê.

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Reforma Tributária: comissão mista pode começar discussões no Congresso

SÃO PAULO – Depois de sucessivos adiamentos, o Congresso Nacional pode criar nesta semana a comissão mista que começará a discutir as propostas de reforma tributária em tramitação nas duas casas legislativas. Segundo o presidente do parlamento, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), o colegiado deverá ser composto por 40 membros, divididos igualmente entre senadores e deputados.

A comissão terá como missão unificar as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) de reforma tributária em tramitação na Câmara dos Deputados (PEC 45/2019) e no Senado Federal (PEC 110/2019) em um único texto de consenso entre os legisladores. O movimento de criar um colegiado composto por membros das duas casas foi resultado de acordo entre os presidentes e líderes partidários, após um ano de disputa por protagonismo em torno do tema.

De um lado, a PEC 45/2019, relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria, propõe a unificação de 5 impostos – PIS, Cofins e IPI (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal). No lugar deles, seria criado um IBS (Imposto sobre Operações com Bens e Serviços), em um movimento de simplificação do sistema, mas sem modificação da carga tributária.

Do outro lado, os senadores tentaram fazer avançar uma antiga proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. O texto, resgatado por Alcolumbre, propõe extinguir IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide, ICMS e ISS, criando no lugar um chamado “IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) dual”: um destinado aos tributos federais e outro aos impostos dos entes subnacionais. A relatoria da PEC 110/2019 está com o senador Roberto Rocha (PSDB-MA).

Com o acordo entre deputados e senadores, os dois textos serão discutidos conjuntamente na comissão mista, que terá Roberto Rocha como presidente e Aguinaldo Ribeiro como relator. A bancada do MDB do Senado — maior da casa, com 14 integrantes — declarou apoio à proposta da Câmara, mas cobra participação mais enfática do governo. Líder do governo na casa, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), já avisou os pares de que o governo tem preferência pela PEC 45.

Congressistas ainda se queixam da falta de clareza do governo federal sobre o assunto e se de fato será apresentada uma proposta própria pela equipe econômica. Eles argumentam que a elaboração da proposta unificada dependerá das sugestões do governo e uma indefinição pode atrasar os trabalhos. Em uma tentativa de dar celeridade ao assunto, os membros da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado querem chamar o ministro Paulo Guedes (Economia) para antecipar as contribuições do Planalto.

Nos últimos dias, voltou a circular a notícia de que Guedes tenta costurar uma forma de viabilizar uma redução da tributação sobre a folha de pagamentos das empresas. Os modelos estudados no momento vão desde a criação de um novo imposto sobre transações eletrônicas — que seria cobrado sobretudo das grandes empresas de tecnologia Google, Apple, Microsoft, Amazon e Facebook — até uma tributação mais elevada sobre “produtos do pecado”, apelido dado a bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos processados com açúcar. Os dois casos já foram publicamente criticados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Embora as duas propostas em destaque foquem na estrutura de impostos sobre o consumo, haverá esforços de deputados em incluir a discussão sobre taxação de dividendos, revisão de alíquotas no imposto de renda e até mesmo o imposto sobre grandes fortunas — pauta cara a parlamentares da oposição e que pode ganhar ainda mais peso em um ano eleitoral.

Depois de instalada, a comissão mista terá entre 30 e 60 dias para concluir a unificação e enviar a proposta para a Câmara, que dará início à sua tramitação a partir de uma comissão especial de deputados. O texto deve passar pelo Plenário das duas Casas do Congresso e, se uma delas fizer alguma modificação, a outra precisará revisar. A expectativa do Congresso e do Executivo é aprovar a reforma tributária ainda no primeiro semestre.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem dito que a reforma tributária deve ser aprovada no plenário da casa até abril deste ano. O deputado acredita que, ao contrário do que se poderia imaginar, as eleições municipais podem ajudar na tramitação das propostas tributárias. Para ele, o pleito pode estimular a aprovação das medidas.

“Tem deputado candidato a prefeito. Se conseguir votar a reforma tributária, como vai perder uma eleição? Impossível”, disse em evento realizado duas semanas atrás.

O prazo apresentado por Maia é repetido por outras lideranças no mundo político, mas também visto com ceticismo por muitos. Na avaliação de analistas políticos, há chances elevadas de novos atrasos, mas a pressa sinalizada pelo deputado pode ser um indicativo de boa vontade em fazer a proposta andar antes das eleições municipais.

Há uma expectativa pela instalação da comissão mista da reforma tributária desde o ano passado. O presidente Davi Alcolumbre havia sinalizado que o colegiado começaria a funcionar em dezembro e teria atividades durante o recesso parlamentar, o que não se confirmou.

“Existe um trabalho de bastidor entre as casas legislativas e o governo para que se chegue a algum consenso para, quando a comissão for instalada, haja um norte fixo. Nesse sentido, qualquer discussão, pancada e tentativa de arrastar a proposta para um lado ou outro teria um pouco mais de dificuldade de tirar a proposta do caminho desejado”, observa Paulo Gama, analista político da XP Investimentos.

[O atraso] Não é bom. Se já estivéssemos nesse ponto de ter a discussão encaminhada, tão melhor seria. Mas, se a comissão for aberta com um norte um pouco mais definido, o resultado pode ser um pouco melhor”, complementa. Para ele, ainda há muitos deputados que não se debruçaram sobre o assunto e os detalhes passam à margem das discussões.

Entre senadores, o clima é de menos otimismo e maior cobrança por clareza no debate. “Confesso que fico constrangido quando as pessoas me perguntam se vamos mesmo aprovar no primeiro semestre a reforma tributária. Não sei qual é a reforma tributária. Não existe. É uma inconsistência do presidente da Câmara quando fala que vai votar a reforma em três meses”, avalia Tasso Jereissati (PSDB-CE), que foi relator da reforma previdenciária na casa.

Para o senador Eduardo Braga (MDB-AM), o governo federal está sendo ausente no debate em torno da reforma tributária. “Ora, em um tema em que os estados possuem interesses difusos, diversos, onde temos de mitigar a questão do pacto federativo, onde é necessário haver equilíbrio, o governo vai ficar ausente, não vai apresentar uma proposta que possa ser discutida com governadores, prefeitos, com o Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária], com o Congresso Nacional?”, questionou.

Entre os desafios para o avanço das discussões, além do calendário apertado, as propostas de simplificação tributária enfrentam resistência do setor de serviços. Empresas deste ramo temem perder benefícios fiscais e acabarem pagando mais impostos com eventuais mudanças na atual estrutura tributária — o que amplia a pressão para que sejam discutidos caminhos para a desoneração da folha de pagamentos.

“O maior desafio é mostrar para alguns setores que acham que terão aumento da carga tributária que não é verdade essa tese. São alguns setores dentro da área de serviços. Estamos fazendo as simulações e discordamos completamente dessa tese. Estamos prontos para conversar, ouvir a crítica, formular, fazer simulações, para que possamos dar conforto a todos os segmentos. Não há nenhum interesse na unificação do IVA em prejudicar nenhum setor. O que queremos é melhorar a produtividade do setor privado brasileiro, que é completamente prejudicado pelo sistema tributário atual”, disse Maia a jornalistas nesta segunda-feira (10).

A disputa entre estados também é normalmente apontada como um dos desafios para a aprovação de mudanças no sistema tributário. Desta vez, porém, governadores têm sinalizado maior disposição a dialogar a criação do IVA, desde com instrumentos de compensação de perdas aos entes subnacionais mais afetados pelas modificações — caso de São Paulo, que, de acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), poderia ficar sem R$ 21,24 bilhões no primeiro ano de vigência caso as alterações fossem feitas de uma só vez.

Defensores das propostas de reforma tributária em discussão no parlamento argumentam que as perdas projetadas para alguns estados será compensada pelo potencial de crescimento gerado pela reforma a médio e longo prazos. O economista Bernard Appy, diretor do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal), estima um crescimento adicional de mais de 10 pontos percentuais em 15 anos com a reforma.

(com Agência Senado)

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Apple perde até US$ 27 bilhões em valor de mercado nesta segunda com coronavírus

Modelos do iPhone 11 em exposição

SÃO PAULO – A Apple chegou a perder US$ 27 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (10) após notícias de que as operações na China seguem sem previsão breve de retorno em meio à crise do coronavírus.

No início das negociações da Bolsa americana, as ações da Apple chegaram a cair 1,9%, o que representa perda de US$ 27 bilhões em valor de mercado. Às 12h30 (de Brasília), o papel caía 0,89%, cerca de US$ 12,6 bilhões.

A Foxconn, maior fabricante de dispositivos do mundo e parte essencial da linha de produção dos iPhones, teve de parar as operações por semanas. Recentemente, a fábrica de Shengzhou pôde abrir novamente, de acordo com a Reuters, mas apenas 10% dos funcionários retornaram ao trabalho. Já a fábrica de Shenzhen segue fechada.

As duas fábricas são responsáveis por boa parte da produção dos iPhones. Se a companhia não conseguir atender à demanda pelos smartphones, sua receita no trimestre pode ser consideravelmente prejudicada.

O analista Ming-Chi Kuo, um dos mais renomados profissionais na cobertura dos papéis da Apple, diminuiu em 10% sua previsão de entregas de iPhones no primeiro trimestre de 2020 graças ao coronavírus.

Em seu mais recente balanço financeiro, em 28 de janeiro, a Apple citou a crise na China e os potenciais efeitos na fabricação dos aparelhos. Imediatamente após a divulgação do documento, as ações chegaram a novo recorde graças aos bons números de 2019 e à perspectiva otimista para 2020.

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Bill e Melinda Gates incluem clima e gênero em metas da fundação

Bill Gates e Melinda

(Bloomberg) — Bill e Melinda Gates, cofundadores da maior fundação privada do mundo, disseram que combater a mudança climática e promover a igualdade de gênero serão questões importantes de seu projeto filantrópico daqui em diante.

Em uma carta para marcar o 20º aniversário da fundação, o casal disse que o clima é uma questão-chave para o cofundador da Microsoft, enquanto a igualdade de gênero se tornou foco para sua esposa.

A fundação planeja trabalhar em tecnologias para reduzir as emissões de carbono, entre elas ideias que possam fornecer energia sem emissões mais baratas em países de baixa renda, e em maneiras de ajudar populações vulneráveis, como agricultores de subsistência, a se adaptarem às mudanças climáticas.

“Combater a mudança climática exigirá níveis históricos de cooperação global, quantidades sem precedentes de inovação em quase todos os setores da economia, implantação generalizada das soluções atuais de energia limpa, como solar e eólica, e um esforço conjunto para trabalhar com pessoas em situação mais vulnerável a um mundo mais quente”, escreveu Bill Gates, o segundo homem mais rico do mundo, segundo o Índice de Bilionários Bloomberg.

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A Fundação Bill e Melinda Gates tem quase  em dotação, incluindo fundos do amigo de Gates e fundador da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, e já doou mais de US$ 50 bilhões. A fundação tem trabalhado para melhorar a saúde global e a educação nos Estados Unidos e, mais recentemente, começou a investir em programas climáticos e de igualdade de gênero.

Melinda Gates identificou a necessidade de mais mulheres em cargos de liderança nos governos, finanças, tecnologia e saúde. Ela também enfatizou a importância de abordar barreiras enfrentadas por mulheres de todas as origens, como trabalho não remunerado e violência de gênero.

Mais difícil

“Não importa em que lugar do mundo tenha nascido, sua vida será mais difícil se nascer menina”, disse Melinda.

O casal analisou sucessos e fracassos em duas décadas de filantropia global em saúde em áreas como vacinação, malária e prevenção da Aids. Bill Gates reforçou a importância para a fundação de apoiar a saúde global.

“A saúde global será sempre o foco principal de nossa fundação”, escreveu Bill Gates na carta. “Este trabalho se tornará cada vez mais importante no futuro à medida que as mudanças climáticas tornarem mais pessoas suscetíveis a doenças.”

A fundação planeja financiar trabalhos sobre planejamento familiar, saúde materna e neonatal e novas maneiras de prevenir a desnutrição.

Outro objetivo de financiamento, a educação nos EUA, obteve menos sucesso do que o trabalho em saúde, disse Melinda Gates.

“Na saúde mundial, existem muitas evidências de que o mundo está no caminho certo, como a drástica queda da mortalidade infantil, por exemplo”, disse Melinda. “No que diz respeito à educação nos EUA, ainda não estamos vendo o tipo de impacto que esperávamos. O status quo ainda está falhando com estudantes americanos.”

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Herdeira de Merkel desiste de disputar eleições alemãs em 2021 após crise política

BERLIM, 10 FEV (ANSA) – A ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, decidiu nesta segunda-feira (10) que renunciará ao cargo de líder da União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel.

Segundo fontes da legenda conservadora citadas pela imprensa local, “AKK” permanecerá no cargo até a eleição de um novo líder, provavelmente no próximo verão europeu.

Com isso, a ministra, que era vista como sucessora natural de Merkel e comanda a CDU desde dezembro de 2018, não disputará o cargo de chanceler em 2021.

AKK saiu com sua imagem enfraquecida após a controversa aliança entre membros de seu partido, liberais e a legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) para eleger Thomas Kemmerich como governador da Turíngia.

O caso provocou revolta no establishment político alemão, incluindo em Merkel, que considerou o acordo com o AfD “imperdoável”. A decisão de alguns membros da CDU de se juntar à extrema direita em torno de Kemmerich foi tomada à revelia do comando do partido.

Por conta da reação negativa na sigla conservadora e no Partido Liberal-Democrático (FDP), Kemmerich renunciou ao cargo um dia depois de sua posse. Merkel deixará o poder em 2021, quando completará 16 anos de governo, e a renúncia de AKK abre um período de incerteza sobre sua sucessão. (ANSA)

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OMS: próximas semanas serão cruciais no combate ao coronavírus

A conselheira sênior do Departamento de Gestão de Contágios da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nahoko Shindo, disse que as próximas semanas serão um período vital nos esforços para conter a propagaçãodo novo coronavírus.

Em entrevista à NHK, na sede da ONU, em Genebra, ela afirmou que o novo vírus teria aparecido entre seres humanos por volta de novembro do ano passado, embora sua origem continue desconhecida.

A entrevista antecede uma reunião de emergência sobre o novo coronavírus com especialistas de todo o mundo, que será realizada nesta terça-feira (11) na cidade suíça.

A conselheira da OMS disse ser extremamente difícil criar uma vacina que possa prevenir completamente uma doença contagiosa do sistema respiratório. Acrescentou que será necessário agregar conhecimentos de todo o mundo para combater o vírus.

Ela comentou também o isolamento da cidade de Wuhan, na província de Hubei, o local mais atingido pela crise. Shindo disse que o isolamento da cidade ajudou a evitar que o vírus se espalhasse fora da China continental e que espera que essa medida continue sendo eficaz.

Para a conselheira, a hipótese de o vírus continuar se espalhando em regiões fora de Wuhan não está descartada.

Equipe de investigação sobre o coronavírus

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreysus, informou que o líder de uma equipe de investigação da instituição seguirá para a China hoje (10) ou amanhã, para ajudar a encontrar formas de conter a propagação da infecção pelo novo coronavírus. Segundo ele, outros integrantes da equipe se juntarão mais tarde ao líder do grupo.

Eles vão trabalhar com especialistas locais para enfrentar a situação. O diretor-geral não divulgou os locais a serem visitados pela equipe.

O diretor executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Michael Ryan, comentou sobre a situação na província de Hubei, no interior da China. O local é onde a epidemia começou e concentra o maior número de infectados.

Ryan afirmou que o número diário de novos casos na província tem sido “estável” nos últimos quatro dias. Segundo ele, isso “pode ser reflexo do impacto das medidas de controle executadas”. Acrescentou que há “muitos casos suspeitos que ainda precisam ser examinados”.

*Emissora pública de televisão do Japão

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Fundos de inflação: Como ficarão os retornos após o fim dos cortes de juros?

moeda de R$ 1 notas de R$ 50 e R$ 100 real dinheiro

SÃO PAULO – A referência do mercado de juros no curto prazo é o CDI, taxa que acompanha a Selic. Mas em investimentos mais longos, que duram anos, décadas à frente, a baliza é outra. Nesses casos, os investidores se guiam pelas chamadas NTN-Bs.

Hoje chamados de Tesouro IPCA+, esses títulos públicos pagam uma taxa acima da inflação acumulada no período. É por isso que papéis desse tipo são utilizados para contratar ganhos por longos períodos, em que o risco inflacionário é maior. Atualmente, por exemplo, os prazos das NTN-Bs oferecidas pelo Tesouro chegam a trinta anos.

O ano passado, contudo, foi um exemplo de como esses papéis podem gerar ganhos expressivos no curto prazo. Em 2019, houve valorizações de até 58%, com a maior parte desse desempenho fruto de ganho de capital provocado pela marcação a mercado.

Isso porque os preços dos papéis sobem quando os juros diminuem – se os títulos são mantidos até o vencimento, porém, o rendimento recebido é aquele combinado no momento da compra. Desse modo, os fundos de inflação tiveram os melhores desempenhos entre os fundos de renda fixa de varejo em 2019. (Confira matéria completa aqui.)

Com base em dados da Economatica, o InfoMoney levantou os 50 fundos de renda fixa com maior retorno em 2019, entre os que perseguem o índice IMA-B (ou suas variações IMA-B5 e IMA-B5+), uma cesta de títulos públicos atrelados à inflação.

Em média, eles entregaram rentabilidade de 24,3% no ano passado. O fundo com maior retorno, Porto Seguro Inflação IMA-B 5+, registrou ganho de 31,3%.

Conforme se destacavam, os produtos recebiam aportes significativos: os 50 fundos registraram juntos captação líquida de R$ 16 bilhões em 2019. O patrimônio médio deles durante o ano totalizou R$ 50 bilhões.

Tal entrada de recursos foi na contramão da indústria de renda fixa, que registrou saldo negativo de R$ 69,3 bilhões no ano passado, o pior resultado desde 2008.

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Do mesmo modo que gerou ganhos, contudo, a reprecificação dos títulos pode provocar perdas de magnitude semelhante.

Com a proximidade do fim do ciclo de corte de juros, muitos investidores começaram a embolsar os lucros com esses produtos. Em janeiro, houve mais resgates do que aplicações nos 50 fundos, deixando o saldo líquido negativo em R$ 1,4 bilhão.

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Para especialistas, um cenário negativo para os títulos atrelados à inflação não é provável em 2020. O ganho de capital, no entanto, não deve ser grande fonte de lucros.

Gilberto Kfouri, responsável por renda fixa e multimercados da BNP Paribas Asset Management, assinala que os grandes retornos gerados pelo movimento de cortes de juros já aconteceram. Desse modo, como o potencial de ganho é bem menor, os riscos se tornam mais significativos para esses produtos.

Ele destaca que, se em 2019, o IMA-B rendeu 23%, contra um CDI de 6%, o prêmio agora deve ser várias vezes menor. Enquanto investimentos atrelados ao CDI devem gerar um retorno na casa de 4% em 2020, aponta Kfouri, os fundos de inflação devem render por volta de 6,5% (inflação projetada acrescida das taxas pagas atualmente).

“Achamos que [o produto] ainda faz sentido, mas não veremos os desempenhos do ano passado, bem longe disso. Não vejo muito potencial de ganho com o fechamento das taxas”, afirma.

O cenário mais provável, afirma Kfouri, contempla, no máximo, mais um corte de 0,25 ponto da Selic, que ficaria estável até 2021. A partir de então se iniciaria uma normalização da política monetária, ou seja, os juros seriam elevados até uma taxa neutra, deixando de ficar em níveis estimulativos. Nesse caso, o cenário base é que os juros cheguem a no máximo 7% nos anos seguintes, diz.

Entre os riscos no caminho, Kfouri aponta um eventual desvio no rumo das reformas de cunho fiscal, bem como uma aceleração muito forte da atividade, que obrigaria o Banco Central a efetuar um aperto monetário mais intenso. Esse último risco é menor, avalia, ressaltando que uma atividade mais forte beneficiaria outras classes de ativos.

“Para o curto prazo, os dois riscos são baixos. Para o médio prazo, o risco de não se atingir uma estabilização fiscal é maior”, afirma, apontando que a proximidade do período eleitoral em 2022 adiciona mais incertezas.

Foco deve estar no longo prazo

Marcos Rechtman, gestor de renda fixa da Icatu Vanguarda, destaca que os fundos de inflação foram desenhados para horizontes de longo prazo, protegendo os investidores do avanço dos preços de maneira mais eficiente do que investimentos atrelados aos juros de curto prazo.

“O dinheiro para os próximos seis meses, a reserva de emergência, deve estar em CDI”, alerta. O horizonte ideal, avalia, é de pelo menos cinco anos nos fundos de inflação.

Ele explica ainda que a gestão nesses fundos não costuma ser ativa. O objetivo é seguir, com uma margem de ação pequena, os índices de referência. Assim, os gestores não propõem mudanças significativas no portfólio por antever um possível aumento das taxas de juros. Momentos de perda, portanto, são inevitáveis em produtos assim.

Em 2015, quando a Selic começou o ano a 11,75% e terminou a 14,25% ao ano, o IMA-B fechou com retorno de 8,9%, contra um CDI de 13,2%. “A ideia do fundo é permitir uma alocação dinâmica da carteira de acordo com o objetivo. Se um cenário é mais adverso, o investidor pode eventualmente aumentar sua parcela pós-fixada.”

Se 2020 ainda deve trazer retornos razoáveis, a perspectiva para esses fundos em 2021 já é pior, aponta Breno Martins, analista de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos. “O jogo no ano que vem é ver quando começa o outro ciclo e até onde ele vai”, diz. “Quando entrar em um ciclo de alta, os fundos vão trazer um retorno pior, até negativo.”

A expectativa do mercado financeiro é que a taxa básica de juros suba para 6%, ao fim de 2021.

O economista chama a atenção para a baixa volatilidade dos retornos recentes na classe, que não deve ser entendida como natural. “A princípio, o cenário à frente não assusta tanto. Mas estamos trabalhando em níveis muito baixos [de volatilidade] e qualquer coisa acima disso já começa a fazer uma pressão.”

Martins afirma ainda que uma boa estimativa para a volatilidade dos produtos que seguem o IMA-B nos próximos anos fica em torno de 5%, tomando como base o histórico de oscilações. Como essa variação é maior quanto mais longos forem os títulos, fundos que buscam retornos do IMA-B5+ tendem a balançar mais.

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