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Trump propõe orçamento de US$ 4,8 trilhões, com cortes em programas sociais

O presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou nesta segunda-feira um plano orçamentário no valor de US$ 4,8 trilhões para o ano fiscal de 2021, propondo acentuados cortes em programas sociais e ajuda estrangeira e mais recursos para defesa e veteranos.

A proposta eleva os gastos militares em 0,3%, a US$ 740,5 bilhões, no ano fiscal com início no dia 1º de outubro. Ao mesmo tempo, reduz gastos fora do setor de defesa em 5%, a US$ 590 bilhões, abaixo do nível acertado entre o Congresso e o presidente num acordo orçamentário de dois anos fechado em meados de 2019.

É improvável, no entanto, que o plano vire lei, uma vez que os democratas controlam a Câmara dos Representantes e projetos de lei de gastos exigem apoio bipartidário no Senado.

Ontem, os democratas sinalizaram se opor ao plano orçamentário, que foi descrito pelo deputado John Yarmuth (Kentucky), presidente do Comitê de Orçamento da casa, como “destruidor e irracional”.

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Elon Musk diz que Facebook é “tosca” e sugere que pessoas excluam suas contas

SÃO PAULO – Elon Musk, CEO da Tesla, segue incomodado com o Facebook e o seu CEO, Mark Zuckerberg.

Na noite do último sábado (8), o empresário chamou a rede social de “tosca” e disse que as pessoas deveriam excluir as suas contas em resposta a um tuíte que pedia maior regulação governamental sobre a quantidade de dados gerados pela empresa.

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Não é a primeira vez que Musk vai a público para falar mal do Facebook e o seu criador. Em 2018, as páginas da Tesla e SpaceX foram excluídas do Facebook minutos depois do empresário afirmar desconhecer sobre a presença de perfis de suas empresas na plataforma de mídia social. A página do Facebook da SpaceX tinha 2,6 milhões de curtidas antes de ser excluída.

A SpaceX ainda tem um perfil no Instagram, de propriedade do Facebook.

Os dois executivos também discordam sobre o futuro da inteligência artificial. Musk chamou a visão de Zuckerberg sobre o potencial da IA de “limitada”, após ele dizer que a tecnologia poderia um dia melhorar a saúde e a segurança, enquanto Musk acredita que os recursos potenciais da IA ​​a tornam mais perigosa do que as armas nucleares.

A indignação de Musk em relação ao Facebook e o seu criador, segundo o site Business Insider, pode estar relacionada a uma episódio que aconteceu em 2016 quando Zuckerberg culpou a SpaceX por um lançamento fracassado que destruiu um satélite do Facebook.

Apesar das constantes trocas de críticas, tanto os executivos quanto as suas empresas são alvos de várias controvérsias nos últimos anos.

Zuckerberg e o Facebook foram criticados pela maneira como a empresa lidou com dados de usuários, incitação ao ódio e a propagação de fake news. Musk e Tesla enfrentaram questionamentos sobre a segurança do trabalhador e dos seus veículos autônomos e da maneira como a montadora promoveu o Autopilot, seu recurso avançado de assistência ao motorista.

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Novo seguro auto da Youse cobre danos de pequeno e médio porte com franquia de R$ 150

SÃO PAULO – Ao se envolver em uma pequena colisão que resulte em um dano leve – um amassado ou arranhão na lataria – que fica abaixo do valor de franquia, o consumidor pode usar um novo serviço de assistência para resolver o problema sem dor de cabeça e sem acionar diretamente a seguradora.

O novo seguro da Youse, plataforma de venda de seguros online da Caixa Seguradora, promete cobrir o reparo de leves danos em até R$ 1 mil com uma franquia de R$ 150.

O serviço, porém, cobre apenas colisões com danos às peças externas de plástico ou lataria do carro. Não há assistência para problemas de mecânica ou funcionamento das partes internas do veículo. É necessário possuir algum plano de seguro da Youse e entrar em contato pelo site oficial da companhia para poder se beneficiar do serviço.

A ideia do produto, segundo a própria seguradora, é oferecer uma assistência mais em conta para consertos simples em que não compensa acionar as coberturas da seguradora.

Isso significa, por exemplo, que, caso, um cliente raspe o veículo no estacionamento ou se envolva em alguma batida leve, causando algum dano de pequeno ou médio porte, ele será atendido pela insurtech em vez de acionar seu plano de seguro.

“Nosso objetivo é auxiliar em qualquer tipo de situação. Essa ainda é uma novidade no Brasil. Antes o cliente não acionava a seguradora, porque o custo do reparo não atingia o valor de sua franquia”, explica Nícolas Ferrara, Gerente de Produto da Youse. “Essa assistência pode custar menos de R$ 4 por mês e oferece mão de obra gratuita no reparo automotivo, que inclui serviços de funilaria e pintura”, acrescenta.

A companhia ainda afirma que a nova iniciativa não impacta a classe de bônus do condutor, benefício oferecido pelo mercado de seguros auto que é usado na hora de renovação da apólice após um ano sem sinistro, já que o serviço da Youse pode ser acionado no lugar da franquia.

“Com essa assistência, podemos ajudar o cliente em mais uma situação, ou seja, ele não precisa arrumar por conta própria e nem se preocupar quando for renovar o seu seguro”, diz.

A assistência cobre apenas a mão de obra dos reparos. Ou seja, o cliente deve arcar com qualquer peça que necessitar de troca.

A Central de Atendimento da companhia vai realizar uma verificação técnica para conferir as condições e a possibilidade de reparo no item após o condutor acionar o serviço.

“Se o dano for irreparável ou, por questões técnicas, não for possível a realização do reparo na peça, o atendimento não será realizado”, explica a companhia em seu manual de assistência.

O reparo pode ser realizado em qualquer oficina, mas a cobertura de R$ 1 mil é aplicável apenas nas unidades da rede de oficinas parceira da Youse, a Autoglass. Se o serviço for realizado em oficina não referenciada, o limite é de R$ 300. A companhia ainda adverte que, caso o condutor realize reparos por conta própria sem acionar o serviço não haverá qualquer tipo de reembolso.

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Curva invertida reflete mais medo global do que recessão nos EUA

(Bloomberg) — A curva de juros dos Estados Unidos flerta novamente com outra ampla inversão, realimentando temores de Wall Street sobre o destino da economia norte-americana.

Um coro crescente de especialistas está sendo influenciado por outro fator: o sinal pode dizer mais sobre o estado da economia global do que sobre o ciclo econômico dos EUA.

Os títulos do Tesouro dos EUA agora respondem por mais da metade de todos os ativos globais considerados seguros, o dobro da proporção que representavam durante a crise financeira, segundo a Eurizon SLJ Capital. Isso complica as coisas quando os juros de longo e curto prazo se invertem: o que costumava ser um indicador confiável de recessão nos EUA é, em vez disso, um termômetro de investidores em busca de proteção em todo mundo.

É uma narrativa que faz muito sentido, pois a ameaça do coronavírus continua a aumentar e reacende o debate do ano passado sobre o poder de previsão ainda embutido na curva.

“Em busca de segurança e duração, todo mundo está indo para os Treasuries dos EUA”, disse Gregory Faranello, chefe para juros dos EUA na AmeriVet Securities. “A inversão da curva de juros agora é sinal de problemas de crescimento global e não reflete realmente o que está acontecendo nos EUA.”

Após uma pausa no início da semana passada, a curva está novamente achatando, e a diferença entre a taxa dos títulos do Tesouro de 10 anos e a de três meses diminuiu pelo terceiro dia na segunda-feira. No auge da ansiedade causada pelo coronavírus e onda de venda de ações no fim do mês passado, a curva se inverteu brevemente pela primeira vez desde outubro.

Os rendimentos dos títulos geralmente aumentam em linha com a duração da dívida porque compensam os efeitos da inflação. Se o retorno de uma nota de 10 anos for inferior ao de um título de três meses, sugere que os investidores têm uma visão pessimista do crescimento e inflação daqui a uma década.

Stephen Jen, presidente da Eurizon SLJ, diz que o apetite global por títulos de dívida dos EUA ajuda a explicar o caso excepcional dos EUA em termos de crescimento, mercados de câmbio e ações.

Jen prevê que até 2022 a dívida do governo dos EUA representará dois terços do volume mundial de títulos considerados seguros graças à grande emissão e à flexibilização quantitativa de outros bancos centrais. Seus cálculos são baseados no montante pendente de dívida do governo nos EUA, Japão e nas três maiores economias europeias, subtraindo a parcela que pertence aos bancos centrais.

“Os EUA podem, perversamente, prosperar por causa de problemas em outros lugares”, disse Jen em entrevista. “Quando os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano caem devido a choques fora dos EUA que podem ou não ter um impacto na economia norte-americana, isso geralmente fornece estímulos adicionais.”

É uma visão que autoridades do Federal Reserve estão prestando muita atenção diante do aumento dos riscos globais decorrentes do vírus. Em entrevista à Bloomberg TV na sexta-feira, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, minimizou a inversão da curva e disse que o spread negativo “é na verdade impulsionado não tanto pelas perspectivas para a economia dos EUA, mas globalmente”. Quando há incerteza, o dinheiro flui para os EUA, disse, por isso os atuais movimentos dos rendimentos não refletem as perspectivas para os EUA.

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Recuperação virá para Vale e siderúrgicas, mas coronavírus seguirá impactando ações no curto prazo

SÃO PAULO – O temor sobre o coronavírus chinês segue afetando negativamente o mercado, e isso não deve acabar tão cedo. Apesar disso, o analista Thiago Lofiego, do Bradesco BBI, mantém uma visão otimista para o setor de mineração e siderurgia, acreditando que a partir do segundo trimestre o cenário deve voltar a melhorar.

Em relatório publicado no domingo (9), Lofiego diz os investidores devem se preparar para uma maior volatilidade nas próxima semanas, citando que as quedas das ações podem ser boas oportunidades de compra.

“Estamos lentamente aumentando posições a nomes como Vale, Gerdau, Usiminas e GMEX, pois esperamos uma normalização [do mercado] a partir do segundo trimestre”, afirma o analista.

Desde o dia 20 de janeiro, quando teve início a queda dos papéis por conta dos temores com o coronavírus, as ações da Vale já recuaram 11,4%, enquanto a Gerdau teve perdas de 9,2%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 5,4%.

A exceção fica com a Usiminas, que recuou de apenas 2,7%, favorecida por uma disparada de 14% das ações apenas no dia 22 por conta de um relatório também do Bradesco BBI, que na ocasião apontou a empresa como sua favorita e disse que o papel estava bastante descontado.

Visando esta recuperação, o BBI agora mantém suas estimativas de preços de aço, minério de ferro, cobre, zinco e níquel para 2020, ressaltando que o impacto na demanda por conta do coronavírus deve ser “transitório” e provavelmente será compensado nos próximos meses.

Também em relatório, o Credit Suisse destacou que o minério de ferro teve o pior momento com o vírus chinês. “O minério de ferro foi precificado para uma demanda robusta e oferta reduzida no primeiro trimestre, mas o vírus levou ao oposto, com a demanda ausente e os estoques portuários provavelmente aumentando”, dizem os analistas.

O Credit destaca que algumas siderúrgicas recentemente diminuíram a produção em 20% a 25% devido à escassez de matérias-primas causadas por restrições no transporte rodoviário. Por outro lado, o banco aponta que a maioria das usinas deve ter suprimento adequado, a menos que as restrições rodoviárias continuem na segunda metade de fevereiro.

No caso do minério de ferro, o Bradesco BBI vê a commodity negociando entre US$ 75 e US$ 85 no curto prazo.

Do lado negativo, Lofiego aponta para as restrições de transporte, estoques ainda em níveis confortáveis nas siderúrgicas e altos nos portos chineses. Por outro lado, favorece o mercado a oferta sazonalmente ainda baixa do Brasil e possíveis interrupções no fornecimento na Austrália por conta da temporada de ciclones, deixando o cenário mais equilibrado.

“Por enquanto, esperamos que o impacto do coronavírus seja contido durante o primeiro trimestre, com a combinação de demanda reprimida e outros estímulos do governo ajudando a aumentar os preços das commodities nos meses seguintes”, afirma o analista.

Do lado das produtoras de minério, ele avalia que a perda potencial de embarques pode ser compensada nos próximos trimestres, enquanto no caso das siderúrgicas, o analista está otimista com a dinâmica da demanda local, além de esperar que a pressão internacional de preços ameace a alta dos preços domésticos, dado que o real está mais depreciado e ainda existem descontos para o material importado.

Com isso, ele reforça que suas ações favoritas no setor são as brasileiras Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), além da mexicana GMEX.

O Credit Suisse, por sua vez, apontou em relatório na última semana que os potenciais impactos temporários do coronavírus sobre a demanda podem ser compensados pela aceleração das medidas de estímulo na China nos próximos trimestres.

Neste cenário, os analistas do banco suíço mantêm recomendação outperform (desempenho acima da média) para os ativos, destacando que o valuation está descontado em relação aos pares e também tendo em vista a perspectiva de pagamentos de proventos ainda em 2020.

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As pessoas mais felizes do mundo têm um problema de dívida

(Bloomberg) — As pessoas mais felizes do planeta vão receber ajuda para administrar as finanças.

Na Finlândia, que liderou o mais recente Relatório Mundial da Felicidade das Nações Unidas, o banco central está elaborando uma estratégia de alfabetização financeira para os cidadãos.

A ideia, concebida em um país que já supera grande parte do mundo rico no setor de educação, é descobrir se um pouco mais de perspicácia financeira ajudará finlandeses a se endividarem menos.

O endividamento das famílias finlandesas dobrou nas últimas duas décadas em um cenário de queda das taxas de juros e obsolescência gradual do dinheiro como forma de pagamento. A população da Finlândia, sede de empresas como Nokia e Rovio, criadora do famoso game Angry Birds, é conhecida pela maior habilidade em tecnologia do que a maioria. Mas a disposição de adotar pagamentos digitais em vez de dinheiro coincidiu com menos disciplina nos hábitos de consumo.

Agora, um recorde de 7% dos 5,5 milhões de cidadãos da Finlândia não conseguem pagar as contas, um aumento de 30% em relação aos últimos dez anos. Nos últimos anos, autoridades alertaram sobre o crescimento em particular do crédito ao consumidor.

Juha Pantzar, presidente da Guarantee Foundation, que ajuda pessoas muito endividadas a recuperarem o controle das finanças, diz que o fato de que “o dinheiro desapareceu” criou uma nova realidade que “obscurece a percepção de muitas pessoas sobre o dinheiro”.

“Muitas pessoas têm dificuldade em estimar onde o dinheiro é gasto, quanto terão no final do mês e quanto podem se dar ao luxo de pedir emprestado”, disse.

Há cerca de 20 anos, o dinheiro vivo era usado em 70% das transações de pagamento nas lojas, e os cartões representavam o restante. Agora, essas métricas mudaram: cartões, celulares e outros modos de pagamento digitais foram usados em mais de 80% das operações em 2018, de acordo com dados compilados pelo banco central.

Olli Rehn, o governador do Banco da Finlândia, diz: “Muitos consumidores já mudaram para o mundo digital” quando se trata de pagamentos. “As pessoas não têm mais as limitações físicas de orçamento que costumavam ter e isso dificulta a administração de suas finanças.”

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Empresas debaixo d’água em SP; só no comércio, prejuízo pode ser de R$ 110 mi

Alagamento

A chuva que atinge São Paulo desde a noite deste domingo, 9, causa estragos pela cidade visíveis nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 10.

Algumas empresas, principalmente as localizadas próximas à Marginal Tietê e Marginal Pinheiros, nas zonas sul e oeste da capital, amanhecerem hoje debaixo de água. Enquanto tentam se organizar para manter ao menos parte de sua operação, os negócios contabilizam os prejuízos com a inundação e a falta de funcionários, que não conseguiram chegar ao trabalho.

O varejo da Região Metropolitana de São Paulo, da Capital, ABCD paulista, Guarulhos e Osasco deve deixar de faturar nesta segunda-feira R$ 110 milhões por causa da situação, segundo projeções da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

De acordo com o assessor econômico da Fecomércio-SP, Guilherme Dietze, essa cifra corresponde a 11% do receita de um dia das lojas instaladas nessas regiões e 0,40% do faturamento mensal.

Nesse cálculo, o economista considerou lojas que não foram abertas por falta de funcionários, outras que abriram, porém com o quadro de pessoal incompleto e deve registrar movimento muito fraco.

Segundo Dietze, os segmentos mais afetados pelas chuvas são supermercados, farmácias e de compras por impulso, como artigos de vestuário. Já itens de maior valor, como eletrodomésticos, devem ter as compras adiadas.

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Agência parada

O presidente da agência Young & Rubicam, David Laloum, disse nesta segunda que os trabalhos da sede principal da agência de publicidade estão completamente parados. A empresa, que fica na Marginal Pinheiros, teve o subsolo e o estacionamento tomados pela água na madrugada desta segunda. “Tentei ir à agência, pois moro a 1,5 km de distância, mas não consegui chegar porque o nível da água não para de subir”, disse ele.

A orientação da Y&R aos funcionários é que permaneçam em casa. A agência vem monitorando a situação, mas a informação atual é que o nível da água continuou a subir ao longo da manhã. Como parte da rede de computadores da empresa esta no subsolo, Laloum disse que existe risco de prejuízo para as operações – a verdadeira extensão do problema só deve ficar clara nos próximos dias, de acordo com o executivo. “Já tivemos um problema parecido, há cerca de 15 anos. Realmente está um caos.”

A Y&R tem escritórios em São Caetano do Sul, no ABC – para atender a conta da Via Varejo – e na Faria Lima. Alguns funcionários conseguiram chegar a esses locais, mas a orientação geral para todos os funcionários da companhia nesta segunda é evitar deslocamentos.

‘Perdi tudo’

O empresário Marcio Daré, de 40 anos, perdeu tudo na enchente que atingiu a grande São Paulo. Ele tem uma companhia de desenvolve maquinários especiais e trabalha com robôs nas cidade de Osasco, na Grande SP. “Estimo que meu prejuízo foi de mais de R$ 1 milhão”, conta.

A MCK Automação Industrial funciona em um condomínio comercial que reúne cerca de 30 galpões. “Todas as empresas foram afetadas”, conta Daré.

Ele tem 130 funcionários e diz que vai passar o dia contabilizando os prejuízos. “Tenho seguro, mas não sei se o seguro vai cobrir esse tipo de episódio. Há pessoas que trabalham no condomínio há mais de 20 anos e contam que nunca viram uma enchente assim. Eu mesmo nunca vivi nada parecido”, diz.

Daré afirma que a preocupação é não só com o dia de hoje, mas com os próximos. “Tenho várias encomendas, máquinas de clientes. Não sei como vou entregar isso e nem como vai ser o futuro da companhia. Uma tragédia dessas fez com que muitas pessoas fossem prejudicadas e muitas podem mesmo a vir ficar desempregadas”, diz.

Fabio Luís Schaderle, dono do restaurante Jaguar, no bairro paulistano de Campos Elíseos, decidiu não abrir as portas nesta segunda. Metade da equipe de funcionários não conseguiu chegar ao trabalho. Também não foram entregues os hortifrutis, que ele compra diariamente. Schaderle, que mora perto do restaurante, na região central, teve de ir a pé até o local, porque não conseguiu táxi nem carro de aplicativo.

O empresário diz que não é possível calcular o prejuízo por causa das chuvas. Segundo ele, as perdas não deve se restringir às cerca de 60 refeições diárias que vai deixar de servir. “Estou preocupado com a perda do estoque também”, explica.

Normalmente, ele tem produtos para um ou dois dias. No caso dos hortifrutis, que são abastecidos diariamente, o empresário está apreensivo com o aumento de preços desses itens que deve ocorrer por causa das perdas e da oferta menor. “Vou ter de mudar o cardápio”, prevê.

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Reforma Tributária: comissão mista pode começar discussões no Congresso

SÃO PAULO – Depois de sucessivos adiamentos, o Congresso Nacional pode criar nesta semana a comissão mista que começará a discutir as propostas de reforma tributária em tramitação nas duas casas legislativas. Segundo o presidente do parlamento, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), o colegiado deverá ser composto por 40 membros, divididos igualmente entre senadores e deputados.

A comissão terá como missão unificar as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) de reforma tributária em tramitação na Câmara dos Deputados (PEC 45/2019) e no Senado Federal (PEC 110/2019) em um único texto de consenso entre os legisladores. O movimento de criar um colegiado composto por membros das duas casas foi resultado de acordo entre os presidentes e líderes partidários, após um ano de disputa por protagonismo em torno do tema.

De um lado, a PEC 45/2019, relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria, propõe a unificação de 5 impostos – PIS, Cofins e IPI (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal). No lugar deles, seria criado um IBS (Imposto sobre Operações com Bens e Serviços), em um movimento de simplificação do sistema, mas sem modificação da carga tributária.

Do outro lado, os senadores tentaram fazer avançar uma antiga proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. O texto, resgatado por Alcolumbre, propõe extinguir IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide, ICMS e ISS, criando no lugar um chamado “IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) dual”: um destinado aos tributos federais e outro aos impostos dos entes subnacionais. A relatoria da PEC 110/2019 está com o senador Roberto Rocha (PSDB-MA).

Com o acordo entre deputados e senadores, os dois textos serão discutidos conjuntamente na comissão mista, que terá Roberto Rocha como presidente e Aguinaldo Ribeiro como relator. A bancada do MDB do Senado — maior da casa, com 14 integrantes — declarou apoio à proposta da Câmara, mas cobra participação mais enfática do governo. Líder do governo na casa, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), já avisou os pares de que o governo tem preferência pela PEC 45.

Congressistas ainda se queixam da falta de clareza do governo federal sobre o assunto e se de fato será apresentada uma proposta própria pela equipe econômica. Eles argumentam que a elaboração da proposta unificada dependerá das sugestões do governo e uma indefinição pode atrasar os trabalhos. Em uma tentativa de dar celeridade ao assunto, os membros da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado querem chamar o ministro Paulo Guedes (Economia) para antecipar as contribuições do Planalto.

Nos últimos dias, voltou a circular a notícia de que Guedes tenta costurar uma forma de viabilizar uma redução da tributação sobre a folha de pagamentos das empresas. Os modelos estudados no momento vão desde a criação de um novo imposto sobre transações eletrônicas — que seria cobrado sobretudo das grandes empresas de tecnologia Google, Apple, Microsoft, Amazon e Facebook — até uma tributação mais elevada sobre “produtos do pecado”, apelido dado a bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos processados com açúcar. Os dois casos já foram publicamente criticados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Embora as duas propostas em destaque foquem na estrutura de impostos sobre o consumo, haverá esforços de deputados em incluir a discussão sobre taxação de dividendos, revisão de alíquotas no imposto de renda e até mesmo o imposto sobre grandes fortunas — pauta cara a parlamentares da oposição e que pode ganhar ainda mais peso em um ano eleitoral.

Depois de instalada, a comissão mista terá entre 30 e 60 dias para concluir a unificação e enviar a proposta para a Câmara, que dará início à sua tramitação a partir de uma comissão especial de deputados. O texto deve passar pelo Plenário das duas Casas do Congresso e, se uma delas fizer alguma modificação, a outra precisará revisar. A expectativa do Congresso e do Executivo é aprovar a reforma tributária ainda no primeiro semestre.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem dito que a reforma tributária deve ser aprovada no plenário da casa até abril deste ano. O deputado acredita que, ao contrário do que se poderia imaginar, as eleições municipais podem ajudar na tramitação das propostas tributárias. Para ele, o pleito pode estimular a aprovação das medidas.

“Tem deputado candidato a prefeito. Se conseguir votar a reforma tributária, como vai perder uma eleição? Impossível”, disse em evento realizado duas semanas atrás.

O prazo apresentado por Maia é repetido por outras lideranças no mundo político, mas também visto com ceticismo por muitos. Na avaliação de analistas políticos, há chances elevadas de novos atrasos, mas a pressa sinalizada pelo deputado pode ser um indicativo de boa vontade em fazer a proposta andar antes das eleições municipais.

Há uma expectativa pela instalação da comissão mista da reforma tributária desde o ano passado. O presidente Davi Alcolumbre havia sinalizado que o colegiado começaria a funcionar em dezembro e teria atividades durante o recesso parlamentar, o que não se confirmou.

“Existe um trabalho de bastidor entre as casas legislativas e o governo para que se chegue a algum consenso para, quando a comissão for instalada, haja um norte fixo. Nesse sentido, qualquer discussão, pancada e tentativa de arrastar a proposta para um lado ou outro teria um pouco mais de dificuldade de tirar a proposta do caminho desejado”, observa Paulo Gama, analista político da XP Investimentos.

[O atraso] Não é bom. Se já estivéssemos nesse ponto de ter a discussão encaminhada, tão melhor seria. Mas, se a comissão for aberta com um norte um pouco mais definido, o resultado pode ser um pouco melhor”, complementa. Para ele, ainda há muitos deputados que não se debruçaram sobre o assunto e os detalhes passam à margem das discussões.

Entre senadores, o clima é de menos otimismo e maior cobrança por clareza no debate. “Confesso que fico constrangido quando as pessoas me perguntam se vamos mesmo aprovar no primeiro semestre a reforma tributária. Não sei qual é a reforma tributária. Não existe. É uma inconsistência do presidente da Câmara quando fala que vai votar a reforma em três meses”, avalia Tasso Jereissati (PSDB-CE), que foi relator da reforma previdenciária na casa.

Para o senador Eduardo Braga (MDB-AM), o governo federal está sendo ausente no debate em torno da reforma tributária. “Ora, em um tema em que os estados possuem interesses difusos, diversos, onde temos de mitigar a questão do pacto federativo, onde é necessário haver equilíbrio, o governo vai ficar ausente, não vai apresentar uma proposta que possa ser discutida com governadores, prefeitos, com o Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária], com o Congresso Nacional?”, questionou.

Entre os desafios para o avanço das discussões, além do calendário apertado, as propostas de simplificação tributária enfrentam resistência do setor de serviços. Empresas deste ramo temem perder benefícios fiscais e acabarem pagando mais impostos com eventuais mudanças na atual estrutura tributária — o que amplia a pressão para que sejam discutidos caminhos para a desoneração da folha de pagamentos.

“O maior desafio é mostrar para alguns setores que acham que terão aumento da carga tributária que não é verdade essa tese. São alguns setores dentro da área de serviços. Estamos fazendo as simulações e discordamos completamente dessa tese. Estamos prontos para conversar, ouvir a crítica, formular, fazer simulações, para que possamos dar conforto a todos os segmentos. Não há nenhum interesse na unificação do IVA em prejudicar nenhum setor. O que queremos é melhorar a produtividade do setor privado brasileiro, que é completamente prejudicado pelo sistema tributário atual”, disse Maia a jornalistas nesta segunda-feira (10).

A disputa entre estados também é normalmente apontada como um dos desafios para a aprovação de mudanças no sistema tributário. Desta vez, porém, governadores têm sinalizado maior disposição a dialogar a criação do IVA, desde com instrumentos de compensação de perdas aos entes subnacionais mais afetados pelas modificações — caso de São Paulo, que, de acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), poderia ficar sem R$ 21,24 bilhões no primeiro ano de vigência caso as alterações fossem feitas de uma só vez.

Defensores das propostas de reforma tributária em discussão no parlamento argumentam que as perdas projetadas para alguns estados será compensada pelo potencial de crescimento gerado pela reforma a médio e longo prazos. O economista Bernard Appy, diretor do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal), estima um crescimento adicional de mais de 10 pontos percentuais em 15 anos com a reforma.

(com Agência Senado)

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Apple perde até US$ 27 bilhões em valor de mercado nesta segunda com coronavírus

Modelos do iPhone 11 em exposição

SÃO PAULO – A Apple chegou a perder US$ 27 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (10) após notícias de que as operações na China seguem sem previsão breve de retorno em meio à crise do coronavírus.

No início das negociações da Bolsa americana, as ações da Apple chegaram a cair 1,9%, o que representa perda de US$ 27 bilhões em valor de mercado. Às 12h30 (de Brasília), o papel caía 0,89%, cerca de US$ 12,6 bilhões.

A Foxconn, maior fabricante de dispositivos do mundo e parte essencial da linha de produção dos iPhones, teve de parar as operações por semanas. Recentemente, a fábrica de Shengzhou pôde abrir novamente, de acordo com a Reuters, mas apenas 10% dos funcionários retornaram ao trabalho. Já a fábrica de Shenzhen segue fechada.

As duas fábricas são responsáveis por boa parte da produção dos iPhones. Se a companhia não conseguir atender à demanda pelos smartphones, sua receita no trimestre pode ser consideravelmente prejudicada.

O analista Ming-Chi Kuo, um dos mais renomados profissionais na cobertura dos papéis da Apple, diminuiu em 10% sua previsão de entregas de iPhones no primeiro trimestre de 2020 graças ao coronavírus.

Em seu mais recente balanço financeiro, em 28 de janeiro, a Apple citou a crise na China e os potenciais efeitos na fabricação dos aparelhos. Imediatamente após a divulgação do documento, as ações chegaram a novo recorde graças aos bons números de 2019 e à perspectiva otimista para 2020.

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Bill e Melinda Gates incluem clima e gênero em metas da fundação

Bill Gates e Melinda

(Bloomberg) — Bill e Melinda Gates, cofundadores da maior fundação privada do mundo, disseram que combater a mudança climática e promover a igualdade de gênero serão questões importantes de seu projeto filantrópico daqui em diante.

Em uma carta para marcar o 20º aniversário da fundação, o casal disse que o clima é uma questão-chave para o cofundador da Microsoft, enquanto a igualdade de gênero se tornou foco para sua esposa.

A fundação planeja trabalhar em tecnologias para reduzir as emissões de carbono, entre elas ideias que possam fornecer energia sem emissões mais baratas em países de baixa renda, e em maneiras de ajudar populações vulneráveis, como agricultores de subsistência, a se adaptarem às mudanças climáticas.

“Combater a mudança climática exigirá níveis históricos de cooperação global, quantidades sem precedentes de inovação em quase todos os setores da economia, implantação generalizada das soluções atuais de energia limpa, como solar e eólica, e um esforço conjunto para trabalhar com pessoas em situação mais vulnerável a um mundo mais quente”, escreveu Bill Gates, o segundo homem mais rico do mundo, segundo o Índice de Bilionários Bloomberg.

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Hedge fund mais rentável do mundo adota tática climática radical

A Fundação Bill e Melinda Gates tem quase  em dotação, incluindo fundos do amigo de Gates e fundador da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, e já doou mais de US$ 50 bilhões. A fundação tem trabalhado para melhorar a saúde global e a educação nos Estados Unidos e, mais recentemente, começou a investir em programas climáticos e de igualdade de gênero.

Melinda Gates identificou a necessidade de mais mulheres em cargos de liderança nos governos, finanças, tecnologia e saúde. Ela também enfatizou a importância de abordar barreiras enfrentadas por mulheres de todas as origens, como trabalho não remunerado e violência de gênero.

Mais difícil

“Não importa em que lugar do mundo tenha nascido, sua vida será mais difícil se nascer menina”, disse Melinda.

O casal analisou sucessos e fracassos em duas décadas de filantropia global em saúde em áreas como vacinação, malária e prevenção da Aids. Bill Gates reforçou a importância para a fundação de apoiar a saúde global.

“A saúde global será sempre o foco principal de nossa fundação”, escreveu Bill Gates na carta. “Este trabalho se tornará cada vez mais importante no futuro à medida que as mudanças climáticas tornarem mais pessoas suscetíveis a doenças.”

A fundação planeja financiar trabalhos sobre planejamento familiar, saúde materna e neonatal e novas maneiras de prevenir a desnutrição.

Outro objetivo de financiamento, a educação nos EUA, obteve menos sucesso do que o trabalho em saúde, disse Melinda Gates.

“Na saúde mundial, existem muitas evidências de que o mundo está no caminho certo, como a drástica queda da mortalidade infantil, por exemplo”, disse Melinda. “No que diz respeito à educação nos EUA, ainda não estamos vendo o tipo de impacto que esperávamos. O status quo ainda está falhando com estudantes americanos.”

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